O coming-of-age queridinho que abriu as porteiras para a comédia romântica adolescente na Netflix está de volta. Beijoqueiros e beijoqueiras já podem finalmente conferir a sequência do longa original de 2018, que deixou aquela vontade de revisitar a barraca teen mais amorosa do streaming. Para muitos, uma trama de identificação sentimental direta. Para outros, um tremendo de um guilty pleasure, mas cheio de virtuosidade.

Fato é que A Barraca do Beijo 2 justifica o hype de seu antecessor por trazer personagens carismáticos, conflitos bem amarrados mesmo sob uso de clichês aqui e acolá , e uma atmosfera leve para esquecer o mundão lá fora. Mas e aí, a continuação é melhor ou pior?

A trama parte diretamente do desfecho do primeiro filme e retrata como Elle tenta levar um relacionamento à distância com Noah, agora em Harvard e fascinado com os encantos da vida social adulta. A protagonista, por sua vez, se vê confusa em relação a qual universidade escolher: ir estudar com seu melhor amigo ou com o mozão? Sim, as regras de berçário mais uma vez sendo postas à prova.

E, em meio a esse dilema, o surgimento de Marco e Chloe despertam desconfianças de ambos os lados. Complexo, não? Isso se deve ao fato de Vince Marcello, novamente na direção, ter apostado em amadurecer os conflitos e trazer novidades, mas acaba se emaranhando em subtramas e resoluções abruptas em extensivas 2 horas e 11 minutos que facilmente podiam ser compactadas para uma hora e meia.

Ok, é sabido que o fã da franquia comemora esse tempo adicional, pois A Barraca do Beijo 2 conserva o mesmo molde que funcionou na obra de 2018 e as familiaridades estão todas lá, para o deleite do fandom: a introdução frenética, o Mustang envenenado, a máquina de dança, as OMGs, a própria Kissing Booth, que agora assume uma presença mais contextual, e por aí vai. Mas nada disso funciona sem o elenco envolvente e extremamente carismático que está muito mais à vontade e fazendo com que o espectador se divirta revisitando aquelas pequenas histórias.

Joey King (Independence Day: O Ressurgimento) ainda sensibiliza como protagonista, mas aqui é deturpada pela quantidade demasiada de conflitos a serem resolvidos, resvalando na química com Joel Courtney (Agents of S.H.I.E.L.D.), que em nada está alterado e agora tem problemas invertidos com a protagonista. Jacob Elordi (Euphoria) retorna amadurecido e reticente em relação ao filme anterior. Já Meganne Young (Supernatural), que serviu apenas de shipp anteriormente, é um dos pontos centrais em um dos desentendimentos entre Elle e Lee. As novidades ficam por conta de Taylor Perez (Scandal), o novo bonitão que convence como uma ameaça futura ao namoro da personagem de King, e Maisie Richardson-Sellers (Legends of Tomorrow), deixada apenas para acender a fagulha do ciúme, tendo pouco a oferecer em uma eventual continuação.

Mesmo sendo um repeteco sem muitas novidades relevantes e com excesso de subtramas, A Barraca do Beijo 2 continua sendo aquele guilty pleasure que amamos assistir para passar o tempo, desligar a cabeça e torcer para que muitos shipps deem certo, ou não. O elenco ainda continua forte e uma sequência é mais que bem-vinda, embora espera-se evolução das relações, o que deve ser o caminho natural daqui em diante.