A obra de uma autora paranaense vai colorir as páginas de hoje. Aline Sopelsa escreve desde 2010 e, desde que descobriu sua paixão, não parou mais. Até que, no começo de 2016, publicou seu primeiro livro e aos poucos conquista as pessoas com suas doces e reais palavras.

Abaixo você vai conferir, além da sinopse e resenha do livro, uma entrevista exclusiva com a autora de “Teus Casos Meus“, em que ela expressa suas diversas opiniões sobre o mundo literário brasileiro, suas inspirações para escrever, e nos conta como foi o processo completo de escrita, edição e publicação do livro. Leia:

SINOPSE

A visão adolescente traz, além de momentos amargos da vida, a doçura dos sentimentos experimentados. Memórias com clima rebelde, experiências vividas com coragem e um misto de erros e acertos são alguns dos temas que compõem esta obra. Além de encontros e desencontros, nos é mostrada a transformação e o amadurecimento a partir desse momento único e inesquecível: a adolescência.

Aliás, quem nunca escreveu uma carta que jamais foi entregue? TEUS CASOS MEUS reúne crônicas repletas de vida e cor. São retratos que misturam ressentimentos, alegrias, dúvidas e amores em diferentes situações. Os textos, carregados de realidade, farão o leitor suspirar e se identificar com a intensidade das emoções.

RESENHA

Já começa com um título lindo e poético. É um livro sobre relacionamentos amorosos, e por ser escrito por uma mulher, passa todo um empoderamento feminino para as leitoras. São crônicas que descrevem o que sentimos diante de uma relação, seja ela saudável, aquela que deixa saudade, aqueles romances casuais com gostinho de quero mais ou aquelas que a gente não quer nem lembrar!
É incrível a espontaneidade das crônicas sobre esse assunto que costuma ser um enigma para muitos. Mais incrível que isso é saber que foram escritos num momento mais enigmático ainda: a adolescência.
A escrita é simples, curta e grossa na mesma medida em que é delicada e sutil mas sem aquela melosidade e romantismo exagerados, tudo é escrito de acordo com a realidade, e se você já passou por alguns amores na adolescência perceberá isso porque os textos, em sua maioria, geram grande identificação.
Todos (se me lembro bem), são escritos em primeira pessoa, onde somente alguns são escritos com eu-lírico masculino, o que incomodou um pouco na leitura, pois só na metade do texto dava para perceber que se tratava de um homem falando sobre uma mulher, e não o contrário como todos os outros. Eu escrevo também, e sei que é difícil mudar o gênero em qualquer coisa que escrevemos, é algo que requer muita prática e observação através de outras leituras, porque por conta e experiência própria sei que é difícil saber como funciona uma mente diferente do nosso gênero e que é mais difícil ainda passar tudo para o papel.
Fora isso, todas as crônicas são lindas e inspiradoras, nos fazem lembrar e pensar sobre as relações amorosas que já tivemos ou temos, ou que ainda pretendemos ter. As crônicas em sua maioria não passam de três páginas, a leitura flui de uma maneira tão gostosa que o livro termina e você nem percebeu! É aquele livro que deixa um gosto de quero mais.

(Resenha por: Bruna Modesto. Para ler mais como esta, visite o site Literavivo)

ENTREVISTA

1) Como você vê o mercado editorial do Brasil?
Eu acho o mercado competitivo. Cada vez mais autores estão tendo acesso fácil à auto publicação e pessoas famosas estão publicando por grandes editoras, então isso acaba estreitando o espaço de quem ainda não tem um público formado. Sendo autora nacional, é difícil ganhar destaque, com tantos outros no meio. Mas em contra partida, fico feliz por tantas publicações e tantos leitores estarem surgindo por isso.

2) Qual sua opinião sobre a literatura brasileira?
Eu adoro a literatura brasileira. Principalmente leitura contemporânea, dessa década. Os autores estão produzindo livros com ótimo conteúdo, envolventes e com histórias marcantes. Estão despertando o gosto pela leitura.

3) Você teve/tem alguma inspiração para escrever? Possui uma playlist para escutar antes ou durante o processo de escrita?
Minha inspiração para escrever foi sempre ter um pequeno detalhe comigo. Seja um objeto, uma palavra que ouvi ao longo do dia, uma decepção, uma conquista, uma sensação ruim… Quase todo o conteúdo do livro foi escrito com “participação” de detalhes. Não ouço nenhuma música durante o processo; trabalho melhor no silêncio.

4) Usou algum livro ou filme de base para escrever algumas das suas crônicas?
Como o livro é curto e as crônicas idem, não tive um material grande de “apoio” para essas criações. Como citei anteriormente, os textos foram construídos a partir de experiências (com livros ou pessoas), floreando com a criatividade.

5) No geral, você tem alguma referência externa ou são todas experiências pessoais?
No geral escrevo sobre experiências, minhas ou não. Exceto pelos contos Fernanda e Nua. Em certa noite, com uma cartela de pílula anticoncepcional na mão, a ideia veio imediatamente à minha cabeça. É estranho contar isso, mas foi exatamente assim que aconteceu. (Risos)
Eu fiquei imaginando como seria a vida de algumas garotas de programa, de onde elas vinham, o que havia por trás dessa vida e escrevi o texto. Tentei ser o mais verossímil possível, e acabei gostando bastante do resultado.

“(…) O carro se aproximou. Parou na minha frente e abaixou os vidros. Sorriu malicioso. Era o Cláudio, um “fiel” pai de família, cheio da grana. Me dizia que a esposa estava acabada demais para ele foder, mas ele era asqueroso. A mulher tinha razão. Eu apenas o agradava pela gorjeta. (…)”
Trecho do texto Fernanda

Já o texto Nua, foi escrito a partir da leitura de três livros eróticos. No momento da leitura, achei um saco os três. A história era baseada no sexo, não havia uma trama por trás; as mulheres eram frágeis, precisando de um colo, e essas coisas… Tanto que larguei, pois eles faziam parte de uma série. Mas, um tempo depois, eles voltaram à memória e pensei “Poxa, será que elas não estavam precisando de um ‘abrigo’ justamente porque estavam machucadas demais?” e acabei escrevendo o texto Nua, que traz essas metáforas de nudez.

“(…) No momento em que, gentil, retirou meu sutiã, me prometeu prazer. Ao passar as mãos delicadamente pelos meus ombros, curou minhas noites em claro. Enquanto beijava um dos meus seios, jurou que nunca mentiria. Que amaria meu corpo e espírito imperfeitos. E quando me olhou com desejo e abaixou minha saia, mandou embora todas as minhas dúvidas. (…)”
Trecho do texto Nua

6) Conte-nos mais sobre o processo de escrita de “Teus casos meus”, edição e publicação.
Comecei a trabalhar no livro no meio de 2014, selecionando os textos que tinha prontos, reescrevendo alguns trechos e apagando outros. No início de 2015 comecei o processo de leitura crítica, trabalhando novamente na estrutura do texto e modificações. Depois, parti para a leitura beta; tive opiniões de leitores desconhecidos e novamente mexi um pouquinho nos textos. Deixei passar aproximadamente dois meses, então os li novamente e mexi em alguns trechos. Depois parti para a revisão, com a profissional Fernanda Rizzo. Após isso, o processo estava quase no fim, iniciando a diagramação e produção da arte. Em janeiro deste ano fiz a impressão do livro e iniciei as vendas em fevereiro.

7) Ficou insatisfeita com algo referente ao seu livro? Por exemplo, a escrita, edição, algum conto que gostaria de modificar, etc.
No geral fiquei bem satisfeita. Mas, para uma segunda edição, pretendo tirar o brilho da capa.

8) Para você, o que é ser escritora? Pretende continuar neste ramo?
Ser escritora é arrancar emoções, suspiros, lembranças. É criar uma história e provocar adrenalina no leitor. É criar mundos onde alguém desejaria viver.
Pretendo sim continuar nesse ramo, tanto que estou escrevendo um segundo livro, com temática totalmente diferente de Teus Casos Meus.

9) Gostaria de deixar algum recado para os leitores?
Adquiram um exemplar de Teus Casos Meus e revirem as emoções dentro de vocês. É um livro feito de memórias adolescentes, e garanto que, para quem já não está mais nessa fase da vida, relembrará bons momentos.
A entrevista foi ótima. Obrigada pelo espaço!

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