#MeToo é uma campanha onde encoraja homens e mulheres a denunciar qualquer tipo de assedio já sofrido

Desde que destamparam o bueiro do abuso sexual em Hollywood, não faltaram atrizes de todos os quilates para revelar diversas formas de abuso sexual a que foram submetidas. Agora, o USA Today transformou o espanto em números.

Levantamento feito pela publicação com mais de 800 mulheres da indústria cinematográfica americana, revelou que 94% delas já sofreram alguma forma de assédio. Você não viu errado: 94% das centenas de mulheres questionadas pela pesquisa disseram que passaram por essa experiência durante suas carreiras em Hollywood.

Durante meses, todos acompanhamos as histórias de abuso relatadas por mulheres como Rose McGowan, Gwyneth Paltrow, Ashley Judd e Salma Hayek, sobre o que os homens poderosos em Hollywood, como o produtor Harvey Weinstein, alegadamente fizeram com elas e outras mulheres por décadas. O levantamento realizado do USA Today torna tudo ainda mais explícito.

Entre os assédios mais comuns revelados pelas entrevistadas estão os comentários indesejados, toques inapropriados, propostas ou coerções. A pesquisa indica que 87% das mulheres relatavam comentários ofensivos e sexuais por parte de colegas ou chefes; 75% já viram outras profissionais serem vítimas de situações semelhantes; 64% já receberam propostas de relação sexual em local de trabalho; 39% já receberam fotos sexuais sem seu consentimento, 29%¨relataram situações onde colegas de trabalho se expuseram de forma inapropriada e, sim, 21% delas disseram ter sido forçadas a fazer algum tipo de ato sexual.

Apesar dos números impactantes, pouquíssimas foram as que denunciaram os casos de assédio. De acordo com a pesquisa, nem 25% delas chegaram a reportar os casos a seus superiores ou sindicatos. O medo de prejudicar a carreira ou sofrer represálias alimenta o silêncio das vítimas.

No Brasil, o cenário não parece muito diferente. Pesquisa realizada pelo site Vagas.com, e divulgada pelo Buzzfeed, mostra que entre as vítimas de abuso sexual, 87,5% não denunciaram seus agressores. Os principais motivos são o medo (de perder o emprego: 39,4%; de represálias: 31,6%; de levar a culpa: 8,2%), a vergonha (11%) e a culpa (3,9%). Em depoimentos para o site brasileiro, algumas mulheres envolvidas com a produção audiovisual, também relataram casos de assédio em sets de filmagem e nos bastidores de produções de TV.

Do R7