Já faz algum tempo, a Disney começou a pensar na possibilidade de desenvolver uma série com temática de futebol. Ao idealizar o projeto, o principal desafio era conseguir contar uma história sobre futebol na qual houvesse cenas de jogadas e partidas narrativamente potentes, esteticamente eficazes e ajustadas aos tempos televisivos.

Com essa finalidade, a Disney formou uma equipe – formada pela produtora especializada em esportes, Pegsa, Pol-ka e a equipe de desenvolvimento e produção da Disney – para reunir esses conceitos em uma história. Quem também participou desse desafio como parte dessa equipe, na direção, foi Sebastián Pivotto. “Acho que o futebol é o esporte mais difícil de contar visualmente para que seja atrativo para o espectador. As referências mais fortes que temos são as propagandas das grandes marcas esportivas. Elas marcaram tendência e foram o nosso exemplo a ser seguido, obviamente adaptadas à narrativa e tempos televisivos. A ideia é que o telespectador sinta que está dentro do jogo, vibrando como um jogador a mais, como se estivesse jogando dentro de sua casa em um console de videogame”, explica o diretor de O11ZE.

Já a Disney, enfatizou o tempo todo a veracidade das cenas de futebol. Embora os personagens tenham grande habilidade para o esporte, em nenhum momento se quis mostrá-los como “super-heróis” do futebol. “Há o uso de efeitos visuais nas cenas dos jogos, mas a ideia sempre foi que parecessem reais. Se havia algum momento mágico, devia estar dentro da ordem do verossímil. Os rapazes não fazem jogadas que o Lionel Messi ou o Cristiano Ronaldo não poderiam fazer. Em O11ZE, tudo parece real”, esclarece Pivotto.

Por outro lado, Pivotto conta que, desde o primeiro momento, sentia que o programa deveria ter um dinamismo muito grande. Victoria Panero, diretora de fotografia, concordou: “O princípio que deveria nortear a identidade visual de O11ZE era o da atualidade. O público ao qual se dirige a série tem uma visão ágil e isso tinha que ser refletido”. A paleta de cores do mundo de O11ZE quebra os tons contrastantes e saturados, de cores primárias, que habitualmente são associados aos programas infantis. “Nesta série, todos os tons estão um pouco deslocados na escala de cores”, aponta Panero. Assim, trabalhou-se com o apoio das áreas de arte e vestuário para transferir esse espírito aos diferentes elementos, desde as locações e a cenografia até a vestimenta dos personagens.

Também se procurou dinamismo no tom das atuações. “O espírito ágil e veloz das partidas de futebol tinha que se voltar para as cenas fora do campo”, comenta. Assim, apareceu o humor como elemento-chave na narração. “Junto com Verónica Pelaccini, a coach de atores, trabalhamos muito na fase de ensaios para que o elenco tivesse um forte tom cômico em suas interpretações. O humor é um elemento importante na série e essa sempre foi a nossa intenção”, destaca Pivotto.

Nasce um Elenco

O11ZE conta com um elenco jovem internacional, selecionado durante um longo processo de testes em diferentes pontos da América Latina. As equipes de talentos, desenvolvimento e produção da Disney, com o apoio de Pivotto, trabalharam para encontrar os atores ideais para formar Os Falcões Dourados, time de futebol da série. “Estávamos procurando rapazes que não só pudessem atuar como também jogassem bem futebol. Isso tornava tudo mais difícil. Em muitos casos, priorizamos mais o frescor de um jovem talento do que a sua experiência como ator”, comenta Pivotto.

Uma vez que foram selecionados, Pelaccini, Pivotto e a produção trabalharam ativamente para que o elenco estivesse em sintonia e funcionasse realmente como um time. Para isso, houve uma extensa fase de ensaios e oficinas de atores, nas quais os atores trabalharam as cenas de forma individual e coletiva, polindo os personagens ao longo dos capítulos. Esse período enriqueceu muito o trabalho de cada um e deu frutos no set, onde se aproveitou ao máximo tudo o que foi preparado previamente.

Criando os mundos de O11ze

A história de O11ZE se desenrola em contextos tão diversos quanto um pequeno povoado parado no tempo, um campo de futebol que não deixa nada a desejar para os profissionais e um instituto acadêmico com uma estrutura impactante. A equipe de direção de arte trabalhou intensamente com a Disney para dar vida a cada um destes espaços de ficção.

Encontrar a locação perfeita para recriar Álamo Seco, o pequeno povoado de onde vem Gabo, não foi tarefa fácil. Inicialmente, o plano era gravar os diferentes pontos do povoado (a escola, o campo, a delegacia etc.) em diferentes regiões porque nenhuma tinha as condições necessárias para gravar tudo… até que um dia houve uma mudança inesperada na pré-produção. A equipe chegou à região de Vagués, na província de Buenos Aires, e imediatamente conseguiu visualizar a história ali. Era o povoado perfeito para gravar todas as cenas. “Quando cheguei, o local me mostrou o que tinha que fazer, como tinha que dar vida aos momentos que se desenrolam em Álamo Seco. Em um instante, todas as peças do quebra-cabeça encaixaram perfeitamente”, lembra Pivotto.

A delegacia, a escola, o campo e outros espaços de Álamo Seco que aparecem no início da série foram gravados nesses lugares reais de Vagués. Fernando Brun, o diretor de arte, garante que a fase de gravações nessa região foi uma das experiências mais gratificantes: “Foi muito lindo entrar em contato com as pessoas do povoado e compartilhar esses dias com eles. Elas nos abriram as portas com muito entusiasmo”.

As cenas no campo de futebol foram gravadas no Club Champagnat, em um campo de rúgbi que teve que ser completamente transformado. As traves em formato de “H” do rúgbi foram camufladas com banners e, diante deles, foram colocadas traves de futebol. Na grama foi preciso mudar a marcação do campo, já que esta é diferente nos dois esportes.

Em estúdio, foram construídos os espaços do Instituto Acadêmico Desportivo (IAD): um hall central, uma sala de aula, uma sala de professores, uma diretoria, uma cafeteria, um laboratório esportivo, um vestiário e o dormitório onde moram Gabo, Ricky e Dedé, os três estudantes bolsistas provenientes de três países diferentes e que ficam hospedados no instituto. “No IAD, trabalhamos os espaços com um estilo minimalista, com pouca decoração. Praticamente não há sinalização e a que existe se baseia em símbolos. Não há letras nem palavras”, explica Brun. O único espaço em estúdio que sai dessa estética é o dormitório de Gabo, Ricky e Dedé, onde se procurou refletir as personalidades dos rapazes através dos objetos que ali se encontram. “O quarto onde eles moram conta um pouco sobre cada um, o que trazem de seus países”, acrescenta Brun.

Uma particularidade do estúdio do IAD é que, diferentemente da maioria dos cenários de televisão, ele tem teto. Essa característica permite um maior jogo de focos de câmera e faz com que as cenas pareçam mais realistas.

A série chega ao Disney Channel em março!