Lançado no dia 06 de novembro, o novo álbum de Hunter Hayes – “The 21 Project” – é um conjunto de três discos, apresentando uma enorme quantidade de singles de Hayes, versões acústicas e ao vivo de outras canções.

A equipe do Rolling Stone Country sentou com o cantor em seu ônibus de turnê algumas horas antes de seu show na Universidade de Purdue para um bate-papo sobre esse mais novo projeto; nas horas de conversa, o garoto falou sobre sua interação com os fãs, a turnê, os desafios de escrever na estrada, e muito mais. Confira abaixo a entrevista traduzida:

 

Por ser uma estrela tão grande como atualmente é, você deliberadamente passa horas com seus fãs antes de cada show.

Eu fui a muitos meet-and-greets­. E conheci muitos artistas. E vi muitos shows divertidos. E então é engraçado porque você começa a criticar muito mais a si mesmo quando você já teve sentimentos muito fortes em relação a outros artistas no passado. O que eu amo é que posso conhecer meus fãs tanto quanto eles me conhecem. A mídia social é ótima porque permite que as pessoas entrem em nosso mundo – e isso permite que você fale de algumas coisas além de apenas música. Eu sinto que [hangout de fãs pré-show] “Coffeehouse” é tipo uma versão disso de certa forma. Eu quero aquela comunicação, essa interação. Torna-se uma das minhas partes favoritas do dia. Porque por um lado, é frio; não é apressado. Também, coloca muitas coisas em perspectiva. Te recarrega de uma forma muito legal. Tudo tem muito mais significado quando você está lá sentado e conversando sobre essas músicas e o que determinados versos significam para as pessoas.

Conte-nos mais sobre a origem do “The 21 Project”.

Nós lançamos coisas de uma maneira diferente neste verão: uma canção de cada vez, duas semanas de intervalo, streaming de primeira. Quando começamos a lançar coisas aleatórias neste verão, eu não vi muito isso como parte de um disco. Eu não estava na mentalidade do álbum em nenhuma forma. Nós apenas estávamos nos divertindo muito só por encontrar maneiras de divulgar músicas aleatórias. E eu fiquei realmente empolgado porque eu estava tipo “bem, isso significa muito. Significa que você não precisa mais pensar na música como uma forma de ‘isso vai se encaixar no álbum?’”. Talvez a maneira que você lança um álbum muda? Certamente, a maneira como você escolhe um single pode ser mudada dramaticamente. Eu realmente queria aprender com esse verão e eu queria que isso fosse muito experimental. Eu queria que isso fosse estranho e apenas diferente. Não por uma questão de ser estranho, mas assim todos saberiam que nós estávamos tentando coisas novas e que não tínhamos as respostas. Ainda não temos.

Então a resposta temporária era pra exibir as músicas em seus variados formatos?

Foi tipo “ok, bom, nós vamos fazer um EP talvez baseado nas coisas desse verão?”. Mas eu não gostava muito da ideia de apenas lançar seis ou sete músicas e “ok, legal, boa história”. Então encontramos uma maneira de tornar isso mais divertido. Os fãs nos viram fazer essas versões loucas das músicas ao vivo; nossas interpretações ao vivo de canções tomaram uma série de giros malucos. Mas eles também nos viram fazer shows acústicos em que eu toco bandolim na maioria das coisas. Eu amo tocar instrumentos secundários porque faz todos repensarmos algumas coisas. Então o “21” realmente foi criado para juntar as músicas, mas não de uma maneira desordenada.

Como a música se torna cada vez mais descartável, isso permite que os fãs experimentem essas músicas de várias maneiras.

Nós todos nos sentimos dessa forma. Essas músicas, nós fazemos turnê com elas. E se você fizer isso de forma certa, esperançosamente vai fazer turnê com aquela música pelo resto da sua vida. Espero que possamos colocar muito disso. Cada ano as músicas têm que mudar. Eu quero mantê-las no show, mas elas vão ter que evoluir. Elas vão ter que assumir uma nova vida. Isso precisa mudar. Precisa crescer.

Quão fundamental foi para escalar de volta um tamanho de local para todo esse evento?

É bom para a alma. É um combustível. Existe a questão: qual você gosta mais – locais menores ou locais maiores? Bom, você não pode de fato ter um sem ter o outro. Porque ambos são necessários para cada pessoa no palco e fora do palco crescer, repensar, ser inovador. Para mim, eu acho que é importante porque nós tentamos tirar o máximo daquela coisa de “falar e vadiar” da arena show. Mas também é bom pra pegar a diversão, a coisa energética que nós construímos para a arena e trazer de volta pra cá, combinando ambos os mundos.

Ano passado, você mencionou ficar grandemente empolgado para ir em grande escala com a produção para o seu show de arena. Obviamente, você perde um pouco desse elemento em locais menores.

Você pode ir muito longe com isso, embora, e perder a conexão. Nós todos amamos esses show pequenos quando não podemos pensar na produção. O fato de que nós podemos parar enquanto estamos tocando e podemos ouvir alguém na fileira de trás do balcão dizer alguma coisa e podemos tipo “legal. Vamos tocar isso. Vamos descobrir”. Nós gostamos disso.

Você mencionou visualizar o lançamento desses singles do verão passado como um experimento. Você sentiu que isso foi finalmente bem sucedido?

As músicas foram lançadas a cada duas semanas. Era uma música por vez. Eu tive que perguntar para os fãs sobre as músicas pessoalmente, ver se eles ouviriam e o que eles achavam disso. E lá pro final do verão você tinha essas seis músicas. E eu era capaz de destacar especificamente certas músicas e falar tipo “o que vocês sentem? O que vocês mais gostam?” Tudo o que foi lançado nesse verão foi definitivamente muito artisticamente motivado. O grupo de músicas em “21” era sobre ‘isso parece bom e certo?’ Esse era sempre o objetivo. Mas às vezes você estava tipo “eu preciso de mais uma música rápida nesse álbum” [risadas].

Alguma das músicas te surpreendeu na maneira que se conectou com os fãs?

Eu não achava que as pessoas saberiam “Trouble With Love” tanto quanto sabem. Nós colocamos a versão acústica e não percebemos o que iria acontecer como resultado disso. Nós acabamos tendo que reinventá-la e fazer a versão elétrica e com a banda toda depois, o que foi muito divertido. Eu na verdade tive alguns pedidos para essa, o que me deixa muito feliz. Minha alma interior de músico-country-obcecado-dos-anos-noventa está muito feliz com a forma como isso saiu. A versão do estúdio é tipo todas as coisas que eu cresci amando. Apesar disso, eu amo, sim, a versão acústica dessa música. Foi muito divertido. Eu estava realmente encontrando todas aquelas vozes acústicas – bandolim e ressonador.  Eu sempre tive isso, mas eu nunca passei meu tempo com esses instrumentos e entendi o idioma que eles queriam falar. Eu acho que está me ajudando a ir para o estúdio agora e tocar mais como um músico de bandolim.

Como sua colaboração com Lady Antebellum em “Where It All Begins” aconteceu? Você os apoiou na turnê de “Wheels Up”.

Nós estávamos conversando sobre ‘cara, nós totalmente deveríamos pegar um dia e escrever juntos’ pra sempre. E isso nunca acontece quando ambos estão na estrada. Nós finalmente descobrimos como e foi logo quando decidimos fazer a turnê “Wheels Up” juntos. Nós não tínhamos anunciado ainda, mas foi certo naquele tempo. Nós ficamos juntos e tentamos escrever, tipo, três outras coisas. Dave [Haywood] tinha essa coisa musical toda e eu ouvi a melodia disso e era tipo “oh, sim! Essa é a minha zona. Sim, por favor, mais disso!”. E então Charles [Kelley] começou a cantar e eu podia jurar que ouvi ele dizer “Where it all begins” [“Onde tudo começa”]. Ele disse que nunca cantou isso. Tornou-se uma canção muito profunda.

Quão importante é uma colaboração musical nesse ponto da sua carreira?

Eu amo isso. Você tira a si próprio da sua zona de conforto. Você tem a tendência de querer lutar um pouco contra isso, mas então, no mesmo momento, você está tipo ‘isso é bom pra mim!’. E então você, temerosamente, sai na borda do que você acha que é a caixa que você está. Eu encontrei muitas outras novas maneiras de escrever depois, o que foi bem interessante pra mim. Eu tenho escrito muito na estrada, e então levando de volta para Nashville. Apenas toneladas de letras em lugares aleatórios.

Você habitualmente escreve na estrada?

Tem dias que eu estou tipo “eu não sei o que escrever agora. Preciso de café.” Você está tão focado no show. Mas você faz acontecer. As noites em que eu mais escrevo na estrada são as que eu tenho meus amigos para escrever. Nós acabamos escrevendo quando tudo está acabado na noite. À meia noite é quando começamos, e vamos até umas três ou quatro da manhã. E conseguimos três músicas. Acontece rápido. E quando acontece, é divertido. É aquela atitude de “quem se importa com o que você consegue? Você conseguiu alguma coisa”. E então você classifica e calcula isso. Mas definitivamente é um desafio encontrar essas janelas. Porque eu tenho um tempo difícil me desligando mentalmente. Quando estou na estrada, estou tão calculado. Estou pensando em quantas garrafas de água eu bebi antes do aquecimento.

Você é um pouco Obsessivo-Compulsivo, talvez?

Você poderia dizer isso. Eu apenas quero estar preparado para quando vou para o palco. Eu não posso me espancar por tantas coisas, porque eu vou. Eu tive um dos melhores shows e é tão estúpido porque eu volto para o ônibus e me cobro por coisas estúpidas, e eu estou tentando quebrar esse meu hábito agora. Mas é uma coisa boa: eu prefiro ficar preocupado com isso a não me importar.

Parece tão importante pra você ter certeza de que executou cada noite no palco. Ao mesmo tempo, porém, você gosta de mudar as coisas em todas as noites.

Absolutamente. Tinha um cara chamado Wayne Toups que eu cresci assistindo. Ele sempre fazia um ótimo show. Sua banda era firme. Eu acho que foi aí que eu peguei minha obsessão com mexer com arranjos. Eles sempre tinham os mais legais hits aqui e lá. Eles não bagunçavam as músicas a ponto de você não reconhece-las mais, mas ele era muito bom em encontrar coisas que tornavam uma música divertida, e comunicar o quanto de diversão eles estão tendo versus fazer arranjos por fazer arranjos. Eu sou muito sortudo porque essa banda, eles fazem aquilo por conta própria. Eles são apenas brilhantes. Wayne costumava dizer “toque cada música como se fosse a sua última”. Eu não sei como ou por que aquilo ficou fixado no meu cérebro, mas é uma coisa para mim agora. Isso importa. Parece que, se você vai andar e deixar alguma coisa, é bom que seja tudo o que você tem pra deixar. Todo mundo está assistindo mesmo quando você não sabe. Mas isso é bom pra mim. Eu gosto disso. Move todos nós.

Fonte: Rolling Stone | Tradução: Edilayne Ribeiro – TOMMO.com.br