Na tarde deste domingo (02), o Geek City, maior evento de cultura pop e tecnologia do Sul do País, produzido pela Seven Entretenimento, promoveu um painel com quatro grandes nomes da TV Cultura, mais especificamente do Castelo Rá-Tim-Bum: Fernando Gomes (Júlio na Gaita e Gato, do Castelo Rá-Tim-Bum), Flávio de Souza (Tíbio, do quadro Tíbio e Perônio), Rosi Campos (Bruxa Morgana) e Eduardo Silva (o Bongô, entregador de pizza).

Durante a conversa, Flávio contou que foi um dos idealizadores de diversos programas da emissora, como Catavento, Mundo da Lua e até mesmo do personagem Dr. Victor, do Castelo. Quando surgiu a oportunidade de fazer Tíbio e Perônio, ele e o parceiro aceitaram de imediato os personagens, no entanto, o ator revelou que a montagem e a caracterização eram mais difíceis, já que as barbas eram feitas com fios de cabelo humano, que demoravam cerca de uma hora para serem colados. Os figurinos eram extremamente trabalhados, mas muito quentes, o que piorava devido à quase inexistência de ar condicionado.

Vários quadros do programa eram gravados sem que todos os atores se encontrassem, isso porque haviam diversos estúdios diferentes. Era o caso da Rosi, que comentou que gravava até três programas por dia e poucos deles foram feitos com todos os atores, como o episódio de aniversário do Dr. Victor, da praia e do zoológico. Ela ainda contou que gostava de realizar a personagem porque sempre gostou mais das bruxas. “Eu não era uma bruxa má, fazia mais um papel de contadora de histórias, professora, tia bacana. Eu gostava muito de ser a bruxa, até por isso, não posso fazer plástica no nariz, precisa ser grande. As mocinhas são muito perfeitinhas”.

Eduardo Silva comentou que sua entrada no Castelo quase não aconteceu. Segundo ele, muitos atores fizeram o teste para ser o personagem, e a TV Educativa se preocupou com o fato de um negro fazer o papel de empregado. Por esse motivo, ele se tornou o filho do dono da pizzaria, e não recebeu qualquer tipo de crítica do público. Inclusive, durante o evento, uma participante agradeceu pela representatividade que o ator proporcionou na TV brasileira.

Participações especiais e reverência aos personagens

O programa foi de extrema importância na infância de muitas pessoas e isso ficou claro devido ao amor e admiração demonstrados durante o Geek City. Marcelo Tas, que interpretava o Professor Tibúrcio e Henrique Stroeter, o Perônio, fizeram uma participação especial por meio de vídeos, e contaram algumas curiosidades que foram proporcionadas graças ao Castelo. Uma delas foi uma história de agradecimento aos dois cientistas do programa, que devido ao que ensinavam no quadro, inspiraram a filha de um telespectador a ser bióloga.

Fernando declarou que realizar um programa como o Castelo Rá-Tim-Bum foi algo extremamente importante em sua vida, e que até hoje ele se sente realizado por ter feito parte de algo tão marcante. Flávio e Eduardo dizem que, quando contam que fizeram parte do programa, muitas portas se abrem para eles. Rosi afirma que a Morgana foi o papel de sua vida, mesmo que as pessoas lembrem de outros personagens que ela protagonizou. Tudo o que é bom acaba sendo eterno. Por isso temos que correr atrás dos nossos sonhos e das nossas lutas, em algum momento valerá a pena”. E finalizou com um apelo. “Façam certo, o país está na mão de vocês”.

Choque de Cultura

Também estiveram no Geek City. Em Curitiba (PR), Caíto Mainier, o Rogerinho do Ingá, Leandro Ramos, o Julinho da Van, Raul Chequer, o Maurílio, e Daniel Furlan, o Renan, contaram histórias, suas inspirações para os personagens e responderam perguntas do público durante o painel do Choque de Cultura.

Juntos, os quatro formam um time de motoristas de vans ilegais que protagonizam um programa de cinema. Na primeira temporada, disponível no canal da TV Quase no YouTube, filmes como Animais Fantásticos e Onde Habitam – ou Harry Potter sem Harry Potter, como eles preferem – Velozes e Furiosos e Transformers foram dissecados pelos pilotos do transporte alternativo.

“Temos uma vasta experiência em fracassos, por isso não esperávamos o sucesso do Choque de Cultura”, respondeu Leandro ao ser questionado sobre a quantidade de fãs alcançada pelo canal. “Recebemos muitas mensagens de pessoas contando que estão deprimidas e que o Choque tem ajudado. Depois disso, comecei a perceber que o que fazemos tem um impacto positivo, mas não temos a real dimensão”, contou Daniel Furlan.

Para Caíto Mainier, uma parte do sucesso vem da identificação das pessoas com o humor feito pela equipe. “Existe alguma coisa na maneira como olhamos o mundo, e que nos ajuda a suportar o mundo, que também encoraja as pessoas a suportar o mundo”. Ao falar sobre Rogerinho do Ingá, Caíto reforçou esse conceito. Ele é um psicótico. É mais um personagem autoritário que mostra o quanto é ridículo ser autoritário”, complementou.

Durante o Geek City, os quatro anunciaram a estreia da segunda temporada do Choque de Cultura, prevista para dezembro. “Final do ano é quando geralmente estreamos os programas. A tendência é voltarmos a gravar em outubro”, explicou Caíto.

Porta dos Fundos

Além do Choque de Cultura, passou pelo palco do Geek City o Porta dos Fundos – um dos mais influentes canais brasileiros de humor no YouTube. Ian SBF e Totoro compartilharam com o público suas experiências e o cenário atual de geração de conteúdo na internet. “Quando começamos, ninguém sabia que dava para ganhar dinheiro com YouTube. Eu ficava pensando: como colocar dinheiro nesse projeto, com todo mundo escrevendo roteiros que causariam problemas pra gente?”, explicou Ian.

Segundo ele, sempre que um vídeo era lançado, todos os integrantes se cumprimentavam como se fosse o último. “Apertávamos a mão um do outro falando foi bom até agora. Porque achávamos que alguém nos processaria e a empresa acabaria no dia seguinte”. Os processos realmente chegaram e não foram poucos. “É moda processar o Porta já faz um tempo. Já fomos processados pelo Feliciano, o Malafaia, o Botafogo, o Garotinho, mas ninguém ganhou. Tivemos um processo de Kellens. Umas Kellens se reuniram e processaram o Porta. Eu fico pensando como foi essa reunião de kellens”, riu Ian.

Totoro destacou ainda a mudança lançada pelo Porta dos Fundos quando o assunto é relacionamento com marcas. “Nas novelas e seriados as pessoas viravam a garrafa de refrigerante para não aparecer o rótulo. Começamos mostrando as marcas mesmo sem ganhar dinheiro”, disse. “Para as marcas e as empresas foi uma mudança imensa. O conteúdo do Porta dos Fundos mostra que não só a vida tem marcas, como ela tem palavrão”, finalizou Ian.