Na nova trilogia pós-apocalíptica, A 5ª Onda, o mundo não acaba com um estrondo, mas sim com várias ondas. Segundo uma matéria feita no Film Journal International, primeiro vem um pulso eletromagnético que corta a internet, celulares, e outras modernidades, depois tsunamis varrem litorais e cidades grandes; em seguida um vírus é trazido para a Terra pela população aviária, e numa quarta onda soldados intergaláticos vindos de espaçonaves fazem uma limpa na população.

Deixando apenas sobreviventes e o mistério de uma quinta onda por vir, Cassie Sullivan (Chloë Grace Moretz) tenta discernir o que significa esse ataque final e, ao mesmo tempo, salvar seu irmão Sammy (Zackary Arthur) do fenômeno. E assim se desenrola a história do filme, previsto para lançar em 15 de janeiro sob a direção de J Blakeson, que concedeu uma entrevista para o FJI que você poderá ler abaixo:


Film Journal International: Como você foi inicialmente recrutado para se tornar parte de “A 5ª Onda”?
J Blakeson: Recebi o livro de Rick [Yancey, o escritor] pelos produtores logo quando voltei depois de estar metido em escrever outra coisa. Eu o li em uma semana e entrei nisso desde o princípio. Eu pensei “eu teria amado esse livro quando era adolescente!” Naquela idade, eu tinha descoberto os filmes de John Hughes e eles foram a minha porta de entrada para o cinema, ao contar histórias sobre adolescentes complicados sem meninos realmente maus ou bons. Em “A 5ª Onda”, eu gosto que Cassie seja uma garota comum em um mundo bem reconhecido. Você não está começando em algum tipo de universo de ficção científica, e ela é apenas uma pessoa normal que está se virando do melhor jeito que pode. Então eu liguei para os produtores na segunda-feira e disse que estava interessado. A partir disso foi como andar no mar; eu apenas fui mais e mais fundo no projeto.

FJI: Seu primeiro filme, “The Disappearance of Alice Creed” é consideravelmente de menor escala, mas tem uma narrativa construída em torno de personagens que estão constantemente mudando de pactos, o que acontece em momentos chaves da história também.
JB: Sim, a maioria das pessoas vê meu primeiro filme e pergunta “por que escolheram ele para isto?” [risos]. Mas há muitas coisas temáticas que estão em ambos. Cada filme é sobre alguém que é jogado em uma situação extraordinária e lida com isso da melhor maneira que pode sem nenhuma habilidade especial. Isso é algo que realmente me deixa comprometido. E neste caso, Cassie é uma personagem que perdeu tudo e quase foi retirada da humanidade e se tornado selvagem. É um território rico para um filme como este, que na superfície é sobre uma invasão alienígena, mas é na realidade sobre explorar a humanidade. O que eu amei em relação ao livro é que, para Cassie, não é uma questão “se” ela vai ser morta, mas “quando”. Esse tipo de fatalismo é interessante.

FJI: Apesar daquelas semelhanças, o orçamento e o alcance de “A 5ª Onda” são consideravelmente maiores. Foi um ajuste difícil?
JB: Eu gostei de verdade disto! Eu sempre tive ambições maiores que o orçamento, não importando o tamanho do orçamento. De fato, é apenas uma questão de falar para a equipe o que eu quero e eles trazerem suas habilidades para isto. Sequências de ação tomam muito tempo do esboço e do plano [de filme], mas desde que eles saibam o que você quer, você pode ver o que é possível e o que não é, e partir daí. Eu visualizei isto como uma oportunidade e me joguei. Não foi como se eu tivesse feito um filme de orçamento baixo porque eu queria um orçamento baixo. É que ninguém estava me dando este tipo de orçamento no meu primeiro filme! [risos]

FJI: O livro é contado sob muitos pontos de vista e tem uma estrutura que vai e volta no tempo. Como você reduziu a história para a versão de filme?
JB: O filme, na maior parte, conta a história de Cassie – o ímpeto é guiado por ela – mas nós realmente vemos algumas das outras histórias do livro se representarem. Eu venho de um passado de roteirização, então somente por ter sido contratado como diretor foi uma nova experiência. Mas foi muito recompensador trabalhar com os escritores que tivemos, incluindo Susannah Grant e Akiva Goldsman. Nós todos éramos grandes fãs do livro, e usamos isso e Rick como nosso guia caso estivéssemos inseguros sobre alguma coisa. Frequentemente o que foi perdido [entre página e tela] foram as páginas com as cenas de diálogo onde os personagens estavam saindo juntos e conversando. Enquanto eu teria gostado de ter mais deste tempo sem fazer nada deles no filme, isto teria feito um filme de cinco horas! Aquelas cenas fazem do livro um ótimo livro, mas nós tínhamos que fazer o filme funcionar como um filme. Há muita história pra passar e você tem que ter certeza de que o filme tem o ritmo certo.

FJI: Por sorte, você é preparado para ouvir dos fãs chateados que suas cenas favoritas foram cortadas.
JB: Sim, e eu entendo completamente. Eu vi adaptações que me fizeram dizer “por que eles não fizeram aquela parte?”. Sendo um cineasta agora, eu consigo voltar atrás e pensar “bom, claro que eles não fizeram aquela parte porque não era importante para a história e para o personagem no filme”. Todo mundo têm diferentes partes favoritas do livro, e você não pode satisfazer a todos. Nós tentamos ser os mais fiéis possíveis ao livro.

FJI: Você incorporou algum material do segundo e terceiro livros neste filme como um prenúncio para uma possível sequência?
JB: Eu ainda não li o segundo livro! Isso foi de propósito, porque eu não queria estar a frente dos personagens e saber aonde eles estavam indo. Eu não queria que este filme fosse uma ponte para o próximo; ele tem a sua própria história, e existe um tangível enredo pessoal que é resolvido. Teve um dos produtores que escreveu pedaços pertinentes de informação do próximo livro pra ter certeza de que nada aqui se confundia com eventos futuros. Uma das coisas que farei quando eu terminar o filme é ler o segundo livro – não como parte do meu trabalho especificamente, mas só pra ver o que acontece.

FJI: Então não podemos ter isto como confirmação de que você vai dirigir a sequência se e quando ela receber o sinal verde.
JB: Eu passei um bom momento fazendo este filme e eu amo o elenco, mas eu não li o próximo livro ainda, então não posso dizer. Rick pode realmente me chatear! [risos]. Se a Sony me quiser de volta, eu ficarei muito interessado. Todos os fãs parecem amar o segundo livro. Tenho certeza que Rick está aprofundando os mitos e dando aos personagens uma viagem difícil. E isso é bom para o drama.

FJI: O sucesso do filme depende muito de encontrar a atriz certa para interpretar Cassie. Como vocês chegaram em um acordo na Chloë?
JB: A Sony já tinha um relacionamento com ela porque eles lançaram “Carrie and the Equalizer”. Ela estava também no topo da minha lista quando eu me encontrei com eles, e então nós ouvimos que ela estava interessada. Então foi tipo uma escolha fácil. Pra mim foi importante escolher alguém que tinha a idade da personagem, e Chloë tinha 17 quando gravamos o filme. Mesmo quando criança assistindo “The Breakfast Club” eu poderia dizer que tinha uma grande diferença [de idade] entre Anthony Michael Hall e Judd Nelson. É um pouco como “Beverly Hills 90210”, onde todo mundo parece que está na metade dos seus 20 [anos], porque realmente está. Como um espectador adolescente, parece como uma inspiração, mas também como se não fosse parte da sua vida. Eu queria ter adolescentes interpretando adolescentes. Foi também uma das primeiras vezes que eu vi Chloë interpretar uma garota normal do ensino médio, e isso foi empolgante. Ela é tão ábil em dublês, porque foi treinada para fazê-los em filmes como “Kick-Ass”. Então foi engraçado para mim dizer pra ela: “seja mais normal! Seja menos extraordinária!”

FJI: Eu também faço parte da geração que cresceu em filmes como “The Breakfast Club”. É estranho para você que aqueles dramas de ensino médio tenham em grande parte sido substituídos por aventuras pós-apocalípticas entre os adolescentes contemporâneos?
JB: Quando eu estava crescendo, havia um monte de dramas de locais de trabalho, e agora as pessoas estão indo ver “The Avengers”, que é um drama de local de trabalho sobre super-heróis. Então eu acho que as pessoas podem se identificar com as mesmas histórias pegando o texto e o transformando em entrelinha. Os adolescentes nestes filmes pós-apocalípticos ainda estão lidando com a mesma bagagem que os adolescentes do ensino médio lidam. Uma das coisas que eu disse quando estava falando pela primeira vez com os produtores é que todos os adolescentes acham que o mundo está acabando, e neste caso acontece que é verdade. Um dia, o mundo de Cassie está acabando porque o garoto que ela gosta não sabe quem ela é. E no outro dia está acabando porque há espaçonaves de alienígenas no céu! [risos]

Fonte | Tradução: Edilayne Ribeiro – TOMMO.com.br