17 anos atrás chegava aos cinemas Onze Homens e Um Segredo, a produção era uma “revisita” aos filmes de assalto e trazia consigo uma forma diferente de falar do tema. Com uma história que não dependia da ação, o filme se mostrou uma versão inteligente e charmosa do gênero.

Contando com um grande elenco e ambientado em Las Vegas, a mistura funciona na forma criada por Steven Soderbergh, uma identidade própria para os filmes e que se seguiu em suas continuações. Obvio dizer que o inicio da trilogia era com certeza uma peça única e que, apesar de muito bem-feitas, as continuações não tinham todo aquele charme.

Oito Mulheres e um Segredo nasce a sombra do que os filmes de Soderbergh fizeram, traz consigo o nome da franquia e busca ser uma espécie de continuação, mas porquê?

A produção conta com um elenco que é com certeza uma das maiores e melhores reuniões de atrizes já vistas. Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anne Hathaway, Helena Bonham Carter, Rihanna, a Rapper Awkwafina, Mindy Kaling e Sarah Paulson formam o grupo que dá título ao filme.

Cada personagem tem uma identidade e cada atriz faz sua parte de forma para lá de competente. Helena Bonham Carter e Cate Blanchett se destacam um pouco mais. Helena com um pouco de sua estranheza, mistura seu já comum estilo com um humor inteligente e faz de sua personagem algo para se notar e Cate Blanchet, esbanja estilo e identidade, ou seja, mais uma vez se mostra uma ótima atriz e uma das melhores da atualidade.

Na trama, Debbie Ocean (Bullock), deixa a prisão e depois de 5 anos planejando um grande assalto, resolve colocar o plano em pratica. Ela contará com a ajuda de Lou (Blanchet) para formar um time e realizar o grande plano.

E é aqui que eu me pergunto, mais uma vez, por que se “limitar” a um nome/continuação?
O roteiro é completamente novo, sai dos cassinos para brincar de assalto em um museu e, na onda das mulheres, tem objetivos mais elegantes. Apesar de algumas soluções preguiçosas e conveniências criadas pelo roteiro, a produção sabe contar a história que se propõe e sabe, muito bem, usar do novo charme que o elenco pode adicionar.

Os elementos colocados, dentro da história e que fazem referência aos filmes de Soderbergh, são dispensáveis, desde o início da trama é estabelecido que Debbie é uma Ocean e que o crime está na família, mas como não é uma obrigação saber o que se passou nos filmes anteriores, não é necessário carregar esse nome como se fosse um atestado de capacidades para a personagem, Sandra Bullock e o roteiro são competentes e dão carisma e convencem o espectador de que ela pode fazer aquilo que está propondo.

Fora esse vínculo, dispensável, o filme tenta emulara a narrativa de Soderbergh. Usa cortes rápidos e explicações em sobreposição de voz para contar pequenas histórias, focos entre planos para mostrar algo que acontece ao fundo, fotografia, música e até a estrutura de como a história é contada, tudo isso, tirado das obras anteriores e feitos de forma, na maioria das vezes, competente, mas também dispensáveis.

O uso continuo desses elementos ficaram cansativos até mesmo nos filmes de Soderbergh e já eram menos comuns no terceiro filme da franquia.

Com todos os novos elementos, toda essa emulação das obras anteriores tiram a identidade do filme, apesar de seu diretor, Gary Ross, não ser grande nome autoral, dar liberdade para ele seria melhor, daria a oportunidade de fazer algo novo e fugir do “antigo”.

Da mesma forma que as obras originais não eram perfeitas, os defeitos de Oito Mulheres e Um segredo estão ali, soluções preguiçosas e conveniências de roteiro e a emulação de um estilo são claras, mas não atrapalham a diversão.

Em suma, Oito Mulheres e Um Segredo, se ancora em seu elenco. São ótimas atrizes em ótimos personagens e que contam uma boa história. Ao meu ver, Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anne Hathaway, Helena Bonham Carter servem, suficientemente, para vender um ingresso e dispensam franquias. Como disse, não que isso atrapalhe, mas era dispensável.

Oito Mulheres e Um Segredo chega hoje (7 de Junho) aos cinemas!