Critica: Alice Através do Espelho

Filme chega aos cinemas quinta (26) em IMAX

0

Após o sucesso e faturamento da versão de Alice no País das Maravilhas de Tim Burton, era inevitável que chegasse a hora de uma sequencia. Agora, após 6 anos, essa sequencia finalmente chegou as telas, com Alice Através do Espelho, que só se assemelha ao livro original de Lewis Carroll, criador da história, no nome.

No novo enredo, Alice retorna de uma jornada de 3 anos em alto mar como capitã, posição impensável para mulheres na época, já planejando sua próxima expedição. Seus planos são estragados por seu ex quase-noivo, que pretende passar a perna na garota. Em uma festa na casa do dito cujo, Alice encontra Absolem, o lagarto, dublado por Alan Rickman em seu último papel falante, entra em um espelho mágico e volta ao fantástico País das Maravilhas. Nessa nova aventura, Alice precisa salvar o Chapeleiro Maluco, que está morrendo de uma depressão profunda, causada pela saudade de sua família, que foi morta anos antes pelo Jabberwocky, um dos vilões do primeiro filme. A única solução é dada pela rainha branca (Anne Hathaway): Alice deveria voltar no tempo e ajudar o chapeleiro a recuperar sua família perdida. Para isso, precisa roubar a Cronosfera do Tempo, personificado por Sacha Baron Cohen.

A personagem do Tempo é um grande destaque no filme. Baron Cohen quase nos lembra Gru, de Meu Malvado Favorito, com seu exército de Segundos, como Minions que, em certo ponto, se juntam e viram algo como um Transformer para impedir que tudo imploda após o roubo da Cronosfera e a entrada de Alice em uma jornada que parece ter saído de De Volta Para o Futuro.

Alice (Mia Wasikowska) returns to the whimsical world of Underland and encounters Iracebeth, the Red Queen (Helena Bonham Carter) in Disney's ALICE THROUGH THE LOOKING GLASS, an all-new adventure featuring the unforgettable characters from Lewis Carroll's beloved stories.
Alice (Mia Wasikowska) returns to the whimsical world of Underland and encounters Iracebeth, the Red Queen (Helena Bonham Carter) in Disney’s ALICE THROUGH THE LOOKING GLASS, an all-new adventure featuring the unforgettable characters from Lewis Carroll’s beloved stories.

O chapeleiro pode ser a peça fundamental para a existencia de toda a história, mas a falta de presença de Johnny Depp nas telas com certeza é sentida. Mesmo “não sendo ele mesmo”, o Chapeleiro Maluco poderia ter passado mais tempo em cena, trazendo consigo seu caráter cômico e extravagante. O que realmente acaba se destacandode forma muito positiva é o drama entre as irmãs: na jornada de Alice descobrimos da onde vêm todo o rancor de Iracebeth, a Rainha Vermelha, representada de forma deslumbrante mais uma vez por Helena Boham Carter; sua cabeça gigante e toda a desavença entre as irmãs

Ao contrário do primeiro filme da saga, em Através do Espelho o espectador não têm a chance de entrar no mundo de Tim Burton, que dessa vez é creditado apenas como produtor. Ao invés disso, a bola é passada para James Robin, diretor dos filmes mais recentes dos Muppets. Ele não nos traz o universo peculiar e sombrio criado anteriormente por Tim Burton, mas essa troca só será notada por reais entusiastas do primeiro diretor, que sentirão algo faltando. Enquanto isso, Bobin traz novos elementos ao filme, como seu timing cômico e grande habilidade para lidar com um mundo surreal inteiramente digital.

Falando em mundo digital, algo que me chamou a atenção no filme foi o fato de parecer que algumas sequencias foram inclusas na obra única e exclusivamente para exibição de evoluções nos efeitos especiais. Talvez o grande mal dos filmes de animação atuais seja, de fato a ambição: existem tantas possibilidades, tantos mundos a serem criados com os efeitos especiais, que acaba acontecendo coisa demais. A quantidade de CGI (imagens geradas por computador) no filme é esmagadora, chegando até a deixar sem ar, mas não no melhor sentido. Talvez tenha sido um passo longe demais nesse quesito. Outro fator que também me incomodou foi ter visto pouco dos personagens clássicos do conto original de Alice no País das Maravilhas, mas isso pode ser só porque eu sou uma fã sem fim do Gato de Cheshire.

Um grande elogio pode ser feito para a questão do poder feminino: no vai e vem da história notamos várias sutilezas feministas e emponderadoras para mulheres, fatos pequenos, mas é bonito ver como os filmes estão cada vez mais almejando ensinar crianças desde cedo sobre um mundo aonde gênero não deve ser sinônimo de limitação. Pelo contrário, Alice é retratada, tanto no primeiro filme quanto na sequencia, como uma real heroína.

No geral, é um filme que entretem em seus 108 minutos de duração, mas não fica na sua cabeça depois. O buraco deixado por Tim Burton na direção é sentido e só é semi tampado quando Helena Boham Carter, que é quase uma extensão do diretor, está em cena. Também me pergunto porque contar uma história tão fora do tema original, uma história que poderia ter sido um filme qualquer, mesmo com tantas possibilidades dadas pelo conto original de Lewis Carroll.