Uma das premissas mais desgastadas do cinema é a ideia de contar uma história substituindo um personagem pelo outro, essa é a forma que diversas produções arranjam para colocar uma dupla em papeis invertidos e conseguir que ambos aprendam uma lição de alguma forma.

Alguém Como Eu parece ser mais uma dessas histórias, mas não é. Apesar da semelhança com a premissa de troca, o filme apresenta uma subversão da mesma, ele demonstra um personagem como sendo visto no sexo aposto, mas isto é um efeito que funciona somente pelo ponto de vista do personagem central.

Talvez essa subversão da premissa pudesse ser vista como ponto positivo da produção, mas a sua apresentação com misticismo e humor fraco não ajudam.

A produção nacional traz no centro de sua história Paolla Oliveira, ela vive Helena, uma mulher que se sente incompleta e em busca de uma mudança na vida, ela vai até Portugal trabalhar, lá conhece Alex (Ricardo Pereira), com quem vive um grande amor de 5 meses até que tudo vá por água abaixo.

A falta de compreensão entre o casal faz com que Helena se sinta desconfortável e peça Deus que seu namorado seja mais como ela, desejo concedido e agora, em momentos oportunos, o homem vira uma mulher e faz tudo da forma que Helena gostaria.

Logo de cara uma coisa muito grande me incomodou, Helena é apresentada como uma mulher bem resolvida, tem sucesso na carreira, uma casa linda e muitos amigos, mas ela se define como incompleta por que falta um homem em sua vida. Apesar do setup de uma mulher que sabe o que quer, ela é logo desconstruída e apresentada como uma garota desesperada por um relacionamento.

Se já não fosse incomodo pela forma como apresentam a personagem, é incomodo também pela forma como apresentam, o filme gasta energia e paciência explicando através de uma narração tudo o que acontece em tela ou que os diálogos são incapazes de contar.

Sobre a subversão da premissa da troca, a ideia é boa, interessante e até mesmo criativa, mas mal aproveitada. Essa trope tem dois grandes problemas. Primeiro é que ela usa um elemento místico desnecessário e segundo que ela não serve ao seu objetivo.

Aparentemente, Alex vira uma mulher só na cabeça de Helena e se esse elemento fosse apresentado desta forma, como algo psicológico e não místico, funcionaria melhor e isso também ajudaria a entender o porquê a mudança de sexo não serve ao seu objetivo, já que ela não teria acontecido de fato.

No final das contas, Alguém como Eu, é um romance que apresenta problemas na tentativa de fazer algo diferente, mas falha quando se torna expositivo demais e não entende a própria proposta. Se alguma coisa pode salvar a ida ao cinema, é com certeza os cenários e o elenco, filmado em belas cenários de Portugal e com e bela mistura de competente e carismático atores portugueses e brasileiros, o filme pode pelo menos ser chamado de bonito.

Alguém Como Eu chega aos cinemas na nesta quinta, dia 24 de Maio!