Review – ‘Beautiful Trauma’ da P!nk

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Em agosto deste ano P!nk recebeu da MTV o Michael Jackson Video Vanguard Award, o prêmio mais importante da noite e da premiação como um todo. A estatueta homenageia o artista por sua carreira e colaboração na industria musical e exalta todo seu trabalho. P!nk lançou seu primeiro álbum de estúdio em 2000 e atualmente é um dos nomes consagrados da industria musical.

Casada e mãe de 2 filhos ela estava em ‘pausa’ na carreira para se dedicar à sua família e ficou afastada por quase cinco anos dos holofotes da música, mas este ano ela voltou.

Esta semana P!nk lançou o Beautiful Trauma, que é seu oitavo álbum de estúdio e um dos melhores -se não o– de sua carreira. O disco contem 13 faixas e dentre elas apenas uma parceria, e é com o Eminem.

You punched a hole in the wall and I framed it

Sim, ela é conhecida também por não ter medo do que falar, mas tudo isso se deve a um fator: ela sabe o que falar e quando falar. A maioria dos cantores muitas vezes falam mais do que podem ou apenas falam para chamar a atenção. E tem aqueles que usam seu álbum para expressar sua opinião, as vezes funciona, outras não. Um bom exemplo de álbum diário que deu certo é o Purpose, do Justin Bieber, onde juntando toda sua composição, produção e talento resultou num álbum pra lá de ótimo. As vezes ele fala de mais ou se expressa de maneira que muita gente não entende, mas quando se tratou de fazer um álbum bom ele o fez.

O Beatiful Trauma também pode ser considerado um álbum diário (mais do que os outros que ela já lançou). Ela expressou sua opinião sobre alguns assuntos, mesmo sem ser explicito, cantou sobre arrependimentos, amor e a vida e conseguiu encaixar tudo isso em uma sequencia de músicas que juntas resultam num belo álbum. E, claro que para um álbum ser bom grande parte se deve à sua produção, que implica desde a melodia até os ajustes finais nas composições. Porque de nada adianta letras incríveis e uma produção pobre.

I wish I could go back to playing Barbies in my room

Em todos os seus álbuns P!nk sempre gostou de ousar e usar letras fortes, em algumas músicas como Revenge por exemplo ela usa a ironia para dizer que já passou por muitos problemas com seu marido, como todas as pessoas. Em entrevistas recentes ela mesmo revela que já passou por diversos problemas com seu marido, como todo casal, mas que juntos eles aprendem mais sobre a vida do que antes quando estavam sozinhos no mundo. Em Where We Go ela reavalia sua trajetória, e revela não ser a prova de balas, como muitas vezes a mídia descreve os artistas ou os fãs pensam. Já em I’m Here, a confiança vence. E apesar de tudo ser bom, quem não gostaria de voltar a quando tudo era simples? Barbies com certeza é uma das melhores e mais honestas músicas do álbum, assim como I’m Here.

There’s not enough tape to shut this mouth
The stones you throw can make me bleed
But I won’t stop until we’re free

E para demostrar todo seu potencial vocal P!ink enfatiza suas duas últimas faixas Wild Hearts Can’t be Broken e Get My Love. Nenhuma música do álbum é descartável ou não se encaixa, todas as faixas do Beatiful Trauma tem composição com conteúdo e produção que formam um dos melhores álbuns de 2017.

P!nk não precisou de uma mega produção visual ou marketing forçado para seu álbum por um único motivo: ela lançou um álbum para seu único proposito, ser ouvido e apreciado pela arte composta nele.

Ouça o álbum abaixo e não deixa de comentar!

Ouça ‘Illuminate’ de Shawn Mendes e descubra por que é um dos melhores álbuns do ano

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Shawn Mendes, 18 anos, teve seu segundo álbum de estúdio lançado hoje, 23. Sem perder a essência que o lançou há 3 anos atras, Shawn não largou seu violão e simplicidade ao nos apresentar novas canções, inclusive seu primeiro álbum se chama “Handwritten”, desta vez com um público um pouco maior comparado à época que lançou “Life of the Party” ele está prestes a dominar os grandes palcos do mundo.

Illuminate é um álbum um tanto que pessoal, mas ao mesmo tempo revelador. Com composições que nos lembram com constância de Ed Sheeran, e até mesmo John Mayer o álbum é uma mistura R&B e tem até mesmo um pegada gospel. As canções que partem o coração em desgosto, quem teria magoado tanto Shawn Mendes? Ou ele será realmente bom com as composições? Apostamos que sim.

Sobre as comparações com Justin Bieber, nem precisamos citar a quantidade de incomuns que ambos tem, porem as comparações terminam neste álbum. Enquanto em Purpose sabemos que JB canta explicitamente sobre uma desilusão amorosa que tem nome e sobrenome, Shawn caminha para o lado envolto de misterioso. Pensando assim, nossa definição de pessoal se encaixa exatamente aqui, em Illuminate podemos ter as músicas para nós, de maneira mais sentimental.

Esquecemos, por vezes, que desgosto não é necessariamente sobre relacionamentos, embora a narrativa em nossa cultura pop pode indicar o contrário. Em “Understand” por exemplo Shawn pode não estar falando sobre um relacionamento e sim sobre algo que deu errado, uma decepção talvez (Oi, Adele); você pode ter sido rejeitado no curso de seus sonhos, ou brigou com seu melhor amigo, ou perdeu a oportunidade de trabalho perfeita. E às vezes o melhor remédio para todas estas decepções é cantar. É difícil ouvir alguém expressar seus sentimentos exatos para você, e muitas vezes de forma eloquente e melodicamente alguém consegue, de uma forma que você jamais poderia.

Illuminate é o álbum perfeito para ouvir não só quando nos encontramos em um momento difícil de relacionamento. Mas também quando você está com vontade de refletir sobre o que te fez ficar chateado com alguma coisa. É emoção, resumindo. Nós ouvimos canções tristes não porque queremos nos sentirmos triste, mas porque queremos nos sentir mais forte a cada vez que a música termina.

Talvez isso, faça de Shawn Mendes em um dos melhores no que faz, ele soube fazer um álbum que não ficará como só mais uma coisa fútil na industria. Sentimos falta de artistas assim.

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