Capitão América: Guerra Civil é um filme que tem a missão de adaptar um aclamado título dos quadrinhos para o universo cinematográfico da Marvel. Assim como nas páginas dessa HQ, o longa metragem levanta questões como os direitos e deveres dos super-heróis diante a sociedade e se as implicações e consequências de seus heroísmos devem ser de total responsabilidade própria.

O filme tem como base os acontecimentos nos últimos longas produzidos pela Marvel, principalmente, Vingadores, Vingadores: Era de Ultron e Capitão América: Soldado Invernal.  As catástrofes que acontecem nas produções anteriores são usadas como um dos impulsos para que o tratado de Sokovia seja imposto aos heróis, desse modo propondo uma jurisdição e regulamentação por parte do governo, com os seres dotados de habilidades especiais. Nesse ponto do filme ocorre a divergência de opiniões entre Tony Stark (Robert Downey Jr.) que carrega um sentimento de culpa pelas vidas perdidas durante as batalhas travadas pelos Vingadores e é a favor da regulamentação imposta pelo governo, e Steve Rogers (Chris Evans) que tem a ideia de que uma jurisdição para os heróis só traria malefícios tanto a sociedade quanto a sua equipe, ambas as implicações culminam na grande batalha que é ambientada no filme.

Como velho amigo do Capitão América, Bucky Barnes ou para os que preferem, Soldado Invernal (Sebastian Stan) é uma das peças mais importantes de todo o roteiro, é nele que é canalizada a impulsão para diversos conflitos e até a introdução do Pantera Negra (Chadwick Boseman) na trama. A evolução do herdeiro de Wakanda é um fator a ser observado no filme, além da transformação física do jovem T´Challa até se transformar em Pantera Negra, pode-se perceber um desenvolvimento pessoal do personagem. Joe e Anthony Russo estão de parabéns nesse ponto, os irmãos deixam claro que são muito competentes quando o assunto é controlar múltiplos fatores simultâneos, pois além de conduzir um roteiro intrigante, introduzir personagens de maneira eficaz eles conseguiram fazer cenas de lutas e perseguições empolgantes de maneira muito organizada, o espectador não se perde durante a ação em nenhum momento do filme.

A mesma eficácia percebida na introdução do Pantera Negra pode ser vista na do aguardadíssimo Homem-Aranha (Tom Holland), o garoto ´´nerd´´ do Queens, amigo da vizinhança volta as telonas após um acordo entre Sony e Marvel. Os roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely conseguiram em uma curtíssima linha de diálogo apresentar o herói de maneira completa e perfeita, mostrando brevemente tudo que precisávamos saber sobre o novo Peter Parker, dando assim um caminho para a produção do próximo longa do super-herói, ´´Spiderman: Homecoming´´, que estreará em 2017.

O principal antagonista do filme é o vilão dos quadrinhos Barão Zemo (Daniel Brühl), apesar de ser famoso por ser um grande rival do Capitão América, vemos um personagem muito diferente dos quadrinhos. Zemo pode até ter uma boa motivação mas a verdade é que ele está no longa para amarrar todas as partes, em nenhum momento do filme compramos a ideia do personagem, não conseguimos em momento algum se entreter com o vilão.

Um aspecto que deve ser observado é o tempo de tela de cada herói, que é muito bem dividido, dando espaço para todos aparecerem, e não só para marcarem presença e sim de maneira realmente efetiva. As motivações dos personagens ficam muito claras durante o embate entre o ´´Time Capitão América´´ e o ´´Time Homem de Ferro´´. O humor é muito bem pontuado, ocorre em períodos muito oportunos, e se alimenta do próprio roteiro e personalidade dos personagens, aliás, o humor é tão bem utilizado que o filme é muito divertido, mas não de maneira cansativa, você toma a graça como algo natural, e não somente como algo encaixado na narrativa.

Apesar de ter muito mais pontos positivos do que negativos, vemos claramente que Capitão América: Guerra Civil é mais um episódio do abrangente universo cinematográfico Marvel, e obviamente sendo um filme ´´episódico´´, é realizado um gancho para a próxima produção onde todos os heróis irão se reencontrar, claro que falamos de, Vingadores: Guerra Infinita – Parte 1. O filme cumpre todas as responsabilidades muito bem, apresentação dos personagens, o amadurecimento de Tony Stark, o desenvolvimento da relação entre os heróis, principalmente da Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e do Visão (Paul Bettany).

Enfim, o filme é excelente, levado com maestria pelos diretores, roteiristas e elenco, me arrisco a dizer que Capitão América: Guerra Civil é hoje o melhor filme da Marvel já reproduzido. Esperamos ansiosos pelos próximos filmes da produtora, e principalmente para ver esse ciclo da Marvel Studios concluído em Vingadores: Guerra Infinita.