A última edição da revista Rolling Stone contou com 5 Seconds of Summer como capa, como você pode ver nesse post. Por conta disso, uma matéria detalhada foi feita contando sobre a vida pessoal e profissional dos garotos da banda, dentro de suas rotinas e seus planos para projetos futuros. Confira na íntegra logo abaixo:


O sol da California está fraco no céu de Bel Air, mas na casa de 5 Seconds of Summer o dia está pra começar. Há manchas de vinho tinto no assoalho à beira da piscina na plataforma ao lado do cânion, que tem vista para o Chateau des Fleurs, uma mansão de $ 100.000.000 que está no mercado desde que foi construída, e o Oceano Pacífico  à distância. Uma lareira está cercada de garrafas de cerveja vazias. “Eles devem aparecer logo”, diz a assistente da banda inglesa, Zoë, que lê um livro enquanto esperamos. Ela ocasionalmente tenta mandar mensagens de texto para a banda em favor de bater na porta de seus quartos. Ninguém responde.

Luke Hemmings, o galã australiano líder da banda, perambula pelas escadas descendo para a cozinha, com a barba por fazer, vestindo apenas uma camiseta e uma cueca boxer justa. Seu delicado penteado loiro – a inspiração para numerosos tutoriais de cabelo no Youtube – é uma bagunça despenteada. Ele espalha um pouco de abacate na torrada. “Desculpe estar de cueca”, ele murmura. “Estou realmente de ressaca.” Ele se arrasta de volta para seu quarto.

Por volta das 17h, o dia começa a se mover. O baixista Calum Hood – que tem 19 anos mas ainda parece com o jogador de futebol da escola que ele era alguns anos atrás – aparece com um copo de Coca, suas unhas pintadas de preto, usando um boné da Billabong. “Deixa eu colocar um pouco de bourbon [whiskey] nisso”, ele diz, retornando para a cozinha. O guitarrista Michael Clifford está perambulando por ali, mas Hood está lhe dando um amplo espaço. “Ele ainda está sentindo”, diz o baixista, acendendo um Camel [cigarro]. Mas finalmente Clifford aparece, vestindo uma camisa totalmente aberta, pálido, mas mais refrescado do que o imaginado. “Estou vivo pra c*ralho!”, ele diz. “Desculpe. Eu estava literalmente morrendo hoje”.

Noite passada, a banda se apresentou no American Music Awards. “Muita gente falsa, o que é uma m*rda”, Clifford diz. Hemmings reclama “É apenas, tipo, personalidade de Viners e Internet, aqueles tipos de pessoa. Isso me emputece pra c*ralho! Por que você está aqui?”

Depois do show, Clifford e Hemmings agitaram a festa de seu amigo Nick Jonas, e depois entraram na de Justin Bieber, no bar favorito deles, o Nice Guy. Eles não falaram com Bieber – “Eu acho que ele nos odeia”, diz Clifford – mas tiveram um bom momento. “Foi louco pra c*ralho, pessoas subindo nas mesas e tal”, ele continua. “Eu provavelmente não deveria dizer isso, mas ele teve o seu próprio álbum em loop por, tipo, duas ou três horas.”

Confira a resposta de Justin Bieber sobre esse assunto.

Clifford acabou em Beverly Hills na festa da casa de Weeknd, que era tão exclusiva que área da piscina tinha seu próprio segurança. O baterista Ashton Irwin – o mais velho da banda e talvez o mais responsável – esteve lá antes, mas foi embora pouco depois que foi empurrado contra uma parede como Diddy e sua tripulação empurraram através da entrada.

Bem-vindo a vida de 5 Seconds of Summer, discutivelmente a banda mais quente do mundo. Apenas alguns anos atrás, eles eram colegas de classe nos subúrbios de Sydney, postando covers de Bieber e Bruno Mars no Youtube. Depois que 5SOS se ligou e tornou seu visual mais punk, One Direction levou a banda numa turnê em 2013; eles são agora a primeira banda na história a ter seus primeiros dois álbuns estreados em número 1. A épica jornada de quatro anos foi imortalizada com “How did we end up here?”, um novo documentário que traça a ascensão de 5SOS (pronunciado “FIVE-sauce” pelos fãs) da web para a Wembley [arena].

Neste ponto, sua celebridade eclipsou a de seus ídolos pop-punk Good Charlotte e Sum 41, mas 5SOS tem um tipo totalmente diferente de fama: eles recebem retweets em uma velocidade boba por suas fãs adolescentes (mais de 13.000 em um minuto); eles ficaram no topo do “mais-reblogado” post no Tumblr; eles são o assunto de fanfics, cuja algumas contêm sexo com bondage e cross-dressing. “Eu não leio essa m*rda,” diz Hood. “Me assusta”. Em Las Vegas, 60 fãs foram presos por rastreamento através de aberturas de ventilação de um local de encontro, tentando se esgueirar para um show 5SOS. “A gritaria é uma coisa muito estressante, mas uma coisa incrível”, diz Irwin.

Em janeiro, a gravadora da banda, Capitol, pagou para eles se mudarem para a casa em Bel Air e escreverem seu próprio álbum em 3 meses. “Foi um sonho do c*ralho se tornando realidade”, diz Irwin. Mas a banda terminou o CD cedo. “Então nós apenas tivemos festas toda hora”, diz Hemmings. “Nós tivemos algumas festas realmente boas no começo do ano, e elas meio que foram ficando melhores. Na última, a proporção foi enorme.”

Três noites atrás, Clifford fez uma festa para o seu 20º aniversário. 5SOS locou uma casa em Beverly Hills, mas foram expulsos à 1 da manhã, então eles direcionaram todos de volta pra cá. Quando eles chegaram, 20 pessoas já estavam esperando lá fora. Detalhes são obscuros, mas o resto da noite incluiu fogo ao ar livre com Niall Horan de One Direction e um jogo de Rock Band às 6 da manhã, e também, muito provavelmente, shots de Vodka, nados na piscina e uma festa dançante de New Found Glory na cozinha. Clifford orgulhosamente exibe um de seus presentes favoritos, dado por Josh Dun, o baterista da banda Twenty One Pilots: um “Fleshlight”, um aparelho com formato de lanterna contendo uma vagina de plástico no final (“O #1 masturbador masculino”, a embalagem diz). “Você nunca usou um desse?” Clifford pergunta com um riso largo.

Ele senta na cozinha, enquanto o tosador da banda trabalha, colocando spray no cabelo dele para um videoshoot essa noite, para o novo single da banda “Jet Black Heart”. Todo mundo chama Clifford de o membro mais punk-rock da banda – o Sid Vicious da banda, se Vicious fizesse cover de All Time Low e Ed Sheeran. Ele é tatuado, com tachas nas orelhas, seu punho direito é coberto com pulseiras pretas, muitas dadas para ele por admiradores. Hoje seu cabelo está vermelho; os fãs se mantêm informados das mais de meia dúzia de tinturas em gráficos onlines, cores como “fairyfloos” [fios de fada], “emo purple” [roxo emo] e “seaweed” [alga marinha]. “Você já foi o “gambá” também”, diz Kelsey, o cabeleireiro. “Eu construí esse personagem onde agora eu tenho que apenas manter”, Clifford diz. “E vamos encarar, a metade do pop-punk é apenas o cabelo”.

5SOS está vindo de um ano que Hemmings chama de promoção “implacável”. “Se eu tiver que ser perguntado por qual celebridade eu tenho uma queda mais uma m*rda de vez…” ele diz. (Então você não precisa perguntar: é Mila Kunis). Eles corajosamente imitaram sons de animais numa TV sueca, e foram desafiados a descreverem seu novo álbum usando apenas emojis.

Mas há uma pergunta que irrita mais eles. “Vocês são uma boyband?”. Eles foram chamados de uma, na noite passada, numa festa industrial, quando Hemmings foi apresentado para um grupo novo. “Eles disseram ‘Nós estamos em uma boyband também'”, ele diz. “Eu estava tipo ‘Estou indo embora agora'”.

“75% das nossas vidas está provando que nós somos uma banda real”, diz Irwin. “Nós estamos ficando bons nisso agora. Nós não queremos ser apenas, tipo, para garotas. Nós queremos ser para todo mundo. Essa é a grande missão que nós temos. Eu já estou vendo um pouco de fãs homens começarem a aparecer, e isso é legal. Se os Beatles e Rolling Stones e todos aqueles caras podem fazer isso, nós podemos fazer isso também”.

Há muito trabalho para ser feito. A banda recentemente anunciou uma turnê de arena que começa em Fevereiro e dura até pelo menos o fim do ano. Depois de passar basicamente os últimos quatro anos juntos, tensões são evidentes. “Alguns desabafam um pouco, e outros dizem algumas coisas que normalmente não diriam”, Hood diz.

Clifford – que sofre de depressão moderada – parece estar tendo um tempo difícil. Ele passou muitos de seus dias esse ano dentro de casa, jogando “Call of Duty”. Mas ultimamente ele está indo bastante à cidade. “É tudo sobre encontrar coisas que te façam feliz”, diz Clifford. “E para mim, essa semana, está sendo festar”.

“Não posso acreditar que estamos indo para um show de Good Charlotte essa noite!” diz Hemmings em um restaurante de West Hollywood lotado. Do outro lado da mesa está um dos produtores e co-escritores de 5 Seconds of Summer, John Feldmann, líder de Goldfinger, a banda Warped Tour-era ska-punk que emergiu nos anos 90. Um dos maiores momentos de Feldmann foi em 1999, quando a música “Superman” de Goldfinger foi proeminentemente usada no video game “Tony Hawk’s Pro Skater”

Feldmann é um garoto amigável e de fala rápida, em um terno e um cabelo loiro descolorido. Ele olha para o cardápio italiano mas demora para achar algo porque está de dieta. “Nove dias – sem glúten, sem cafeína, sem carboidrato”, ele diz. “Eu só estou batendo punheta cada segundo de cada dia”.

Desde que ele começou a trabalhar com eles em 2013, Feldmann se tornou o pai não-oficial da banda. (Eles foram para a casa dele para o Dia de Ação de Graças). Eles tem um projeto à parte com ele chamado “Wormstein”, em que eles usam máscaras de animais e recentemente filmaram um vídeo de baixo orçamento de 30 segundos originais de hardcore-punk chamado “Doughnuts”.

Ele ouviu 5SOS pela primeira vez em Londres, enquanto trabalhava com uma banda australiana, os Veronicas, cuja cantora, Jessica Origliasso, era uma amiga de Clifford. “Eu nunca em um milhão de anos diria que eles estariam em uma capa da Rolling Stone em dois anos”, diz Feldmann. “Eu vi tantas p*rras de pessoas dizendo que ‘guitarras acabaram’. Eles acabaram. É tudo música eletrônica e programação. E isso é o que as pessoas querem ouvir.’ E eu agradeço a Deus que eles provaram que todos estavam errados.”

A banda poderia ter optado por trabalhar com donos de hits como Max Martin depois do sucesso do primeiro álbum, mas escolheram ficar com Feldmann. Ele é apenas um dos pop punkers veteranos trabalhando com 5SOS – Deryck Whibley, de Sum 41, Alex Gaskarth, de All Time Low, e Benji e Joel Madden de Good Charlotte também co-escreveram com a banda.

5SOS são também grandes fãs de Creed e Nickelback. “Eu acho que australianos são apenas naturalmente viciados em cock rock” [gênero de rock metal], diz Hood. “Porque eu amo isso pra c*ralho”. A banda até teve uma sessão co-escrevendo com Chad Kroeger recentemente, mas não funcionou. “Foi só uma p*rra de uma música de Nickelback”, diz Irwin.

A banda ama falar sobre Kroeger. “Ele pediu 12 chicken strips [frango em tirinhas] e uma salada Caesar”, diz Irwin. “Foi tão divertido, cara”. Hood cai uma oitava na voz para imitar Kroeger: “Ele estava tipo ‘M*rda, eu sou tão não-saudável. Eu peço isso todo dia.'”

“No fim do dia ele estava tipo ‘M*rda, eu me sinto estressado'”, diz Irwin. “Ele estava tipo ‘Vocês já olharam alguma m*rda na internet?’ e a gente disse ‘Que tipo de m*rda?’ e ele ‘Coisas de garota, tipo, garotas gostosas dançando’. Então ele vai até o Youtube e procura ‘minas gostosas dançando’. E nós sentamos lá assistindo minas gostosas dançando. Foi tão assustadoramente uma coisa de pai-na-internet.”

“Tipo um pai tentando encontrar pornô”, diz Clifford, digitando no ar “‘Porn.com!'”

“Isso definitivamente foi eu quando era mais novo – pornô de graça”, diz Hood. “Eu não quero nada daquelas m*rdas de assinatura. Eu quero coisa de graça.”

“Vocês já olharam ‘peitos’ no Google Imagens?”, diz Clifford. “Quando eu tinha 11 anos, eu costumava tirar o ‘busca segura’ no Google Imagens. Ah, cara, isso não está ajudando em nada o artigo, está?”

Good Charlotte foi o primeiro show de rock de Hemmings quando ele os viu mais ou menos aos 12 anos em Sydney. “Eles eram a razão pela qual eu queria estar em uma banda”, ele diz. “Eu poderia contar com uma banda de uma cidade pequena, falando sobre querer ir embora.” Agora, 5SOS está retornando o favor: Good Charlotte foi de tocar na Madison Square Garden para se apresentar na House of Blues em Myrtle Beach, na Califórnia do Sul, quando eles decidiram dar uma pausa alguns anos atrás e partir para o por-trás-das-câmeras trabalhando como produtores. Então Feldmann os colocou em contato com 5 Seconds of Summer, e eles escreveram músicas em ambos os álbuns. “Nós ficamos realmente inspirados”, Benji Madden vai dizer no palco essa noite. “E nós trouxemos o pop-punk de volta!” Essa noite é o primeiro show completo de Madden em quase 5 anos.

Enquanto Hemmings come, ele está de mãos dadas com sua namorada, Arzaylea, uma pequena morena de 21 anos com um piercing no nariz e uma camisa que diz “Eu preferia estar comendo”. Enquanto Hemmings fala no meu ouvido, ela mantém sua mão nas calças dele, esfregando suas calças. Eles se conheceram em uma reunião em Los Angeles, 3 meses atrás. A festa foi “muito ruim”, mas Hemmings ficou impressionado quando ela contou pra ele que sua banda favorita era um grupo emo de Arizona chamado “Maine”. Ele convidou ela para a casa de 5SOS por volta das 3 da manhã, e eles estão juntos desde então. Ele tentou manter seu relacionamento em segredo por semanas, saindo de carros separadamente para evitar os paparazzi, mas essa noite parece que ele desistiu. “É difícil”, ele diz. “Uma das coisas mais estranhas é que você quer que isso seja uma segredo, mas você não quer que isso seja um segredo.”

Arzaylea cresceu em Austin e New York, e foi para a escola de beleza “Aveda Institute”. “Eu não uso isso agora”, ela diz. O que ela faz? “Eu sou uma pessoa influente na internet”, ela diz. “Eu apenas posto fotos. É realmente fácil”. Em um Q&A [perguntas e respostas] online, alguém perguntou a ela “Você se preocupa com o dinheiro para o futuro já que você não tem um trabalho integral e não vai pra escola atualmente?”

“Não”, ela respondeu. “Fundo de garantia”.

Arzaylea se tornou uma vilã para as fãs obsessivas de Hemmings; o universo online de 5SOS é cheio de conspirações sobre ela – de que ela está usando Hemmings para sua fama, especulações de que ela tem na verdade 25 anos e não 21, que ela é um fantoche sendo paga pela direção para causar problema e criar publicidade. Eles desenterraram alguns tweets de ex-namorados. “Vocês todos me odeiam quando nem me conhecem”, ela tweetou para os fãs. “Eu não uso ninguém para nada. Eu legalmente posso fazer tudo por conta própria.”

Hemmings e Arzaylea estão de mãos dadas enquanto passam por algumas portas do Troubadour. Minutos depois Good Charlotte está no palco, entregando um conjunto de hits musicais. Entre as músicas, eles fazem piada sobre estarem velhos e sobre as saídas na escola antes dos ensaios da banda. “Vamos voltar para 2001”, Joel Madden diz antes de “Little Things”. Hemmings se balança no seu assento, cantando cada palavra. Quando a fileira VIP fica lotada, Arzaylea monta no colo dele e eles se beijam. Quando a banda dá um “olá” para 5SOS, eles erguem seus pulsos.

Depois do show, 5SOS se guia para os bastidores, onde Nicole Richie, a esposa de Joel Madden, direciona os convidados para o camarim. Os Maddens estão conversando com os executivos da música sobre sua volta. Quando eles percebem a banda, todo mundo se abraça. “Nós devemos muito à esses caras, mano”, Benji Madden diz, falando sobre a multidão. “Nós estávamos, tipo, superando. Nós tínhamos acabado. E então passamos, tipo, nove meses juntos. Ver eles se tornando a banda que eles são… Eu amo vocês pra c*ralho. Eu não sei o que faria sem vocês.”

“Estes são os meus irmãozinhos”, diz Joel, dando um tapinha nas costas de Hood. “Obrigada por terem vindo para nosso show hoje. Vocês fizeram a gente parecer legal!”

Hemmings, Hood e Clifford se conheceram no “Norwest Christian College”, uma pequena escola particular no subúrbio do norte de Sydney, onde estudantes usam paletós e “professores usam suas próprias experiências como cristãos para ensinar de uma visão bíblica em todas as áreas curriculares”, de acordo com o site. “Era muito rigoroso”, diz Clifford. (Quando perguntado se ele é religioso, Clifford diz que nestes dias ele não vai muito à igreja, mas “sempre que estou em casa, minha família me lembra do quão abençoado eu sou e tal”).

Hemmings se descreve como um estudante “agressivamente na média”; sua mãe era professora de matemática e seu pai era dono de uma empresa de limpeza de piscina. Clifford e Hood se conheciam há anos; Hemmings chegou na escola na sétima série. “Ele era tipo o cara legal”, diz Clifford, cujos pais comandam um negócio de computadores. “Ele era um babaca. Nós não gostávamos um do outro por um tempo.” Hemmings diz “Eu era gordinho. Minha voz não tinha engrossado. Michael era grande e magro e tinha um cabelo ótimo, então eu era tipo ‘F*da-se esse cara'”.

Adam Day, o professor de música do garoto, disse que Clifford mostrou maior ambição mais cedo: “Michael sempre disse pra mim ‘Eu serei um superstar um dia'”. Mas foi Hemmings que primeiro levou a sério o Youtube, postando um cover da música grudenta “Please don’t go” de Mike Posner em 2011, com 14 anos. Graças aos visuais de Hemmings e a precária, mas amável, perfomance, o vídeo alcançou 40.000 visualizações em alguns meses.

Hood – que levava tão a sério o futebol que visitou o Brasil para um treinamento de campo – e Clifford se juntaram à ação. O trio se aglomerava em frente da câmera e cantava em voz baixa a música de Chris Brown e Bieber, “Next to you”, que alcançou 600.000 visualizações. Eles tinham um fácil bate-papo com um e outro e os fãs online: “Vá se inscrever e dê um curtir e todas essas m*rdas”, Clifford dizia. “Nós percebemos o que as pessoas gostavam em nós”, diz Hemmings. “Nós não éramos idiotas. Nós éramos apenas um tipo de babaca na câmera e as pessoas gostavam disso”.

“Eles tinham essa energia nervosa”, diz o primeiro diretor deles, Adam Wilkinson, que os conheceu quando os três fizeram uma turnê no Studio 301, um dos maiores estúdios de gravação de Sydney, na primavera de 2011. Aquele dezembro, eles registraram o primeiro show em um lugar chamado “Annandale Hotel”. Eles precisavam de um baterista e estenderam a mão para Irwin, uma metade de um grupo pop acústico local. A banda diz que apenas 12 pessoas apareceram no show. “Tinha muito mais público na internet”, diz Irwin. “Ninguém se importou com o lugar de onde nós viemos. Mas as pessoas online em Norway e Suécia estavam assistindo e dizendo ‘Isso é legal'”.

Depois do encontro com a banda e a mãe de Hemmings, Wilkinson escreveu um plano de 12 meses para 5SOS se tornar uma jamanta do pop [indestrutível]. Ele começa lendo uma estratégia de marketing que apresentou para a banda: “Musicalmente, 5SOS pode preencher o espaço entre One Direction e McFly. Eles são novos, atraentes, jovens atingíveis que têm uma vantagem atrevida e tocam seus próprios instrumentos. Enquanto eles não podem atravessar o campo do pop punk, eles podem ficar à margem e capturar o final desse mercado. Eles sempre quiseram ser Blink 182 ou Good Charlotte, mas eu serei o primeiro a admitir que pensei que era um tiro muito longe no escuro”, diz Wilkinson. “Nós tentamos fazer deles um pouco mais pop”.

Como o Fab Four, cada membro de 5SOS teria um personagem simples. Luke era o quietinho. “A ideia era fazer os fãs sentirem um pouco de mistério em torno dele”, diz Wilkinson. “Michael de “Day One” queria ser uma estrela do rock. Então nós tentamos realçar isso. Calum sempre pretendia ser o criativo. Ashton era o sério.” Wilkinson incomodava os meninos para tweetarem para seus fãs: “Eu ficava checando o Twitter deles – ‘Bom, garotos, Ashton fez isso, por que vocês não fizeram essa m*rda ainda?’ ‘Oh, desculpe, esqueci. Na escola, estavam ocupados'”.

Em maio de 2012, a banda saiu em turnê pela primeira vez, uma corrida de três cidades com capacidade para 200 clubes australianos, que Wilkinson diz que foi tudo vendido em menos de dois minutos. “Eu ainda não consigo imaginar como que isso estourou tão rápido”, ele diz. “Dentro de três meses, estes meninos foram do nada para o vender shows em três cidades que um monte de bandas conhecidas lutam para vender”.

As participações ficaram maiores quando a banda demonstrou interesse no “Modest Management”, a companhia de Londres que trabalha com One Direction. O co-fundador da Modest, Richard Griffiths, voou da Austrália para persuadir 5SOS a se mudar para Londres. A banda chegou no Reino Unido em dezembro de 2012, um mês depois de Louis Tomlinson, membro de One Direction, ter tweetado um link do Youtube da mais nova música original de 5 Seconds of Summer, “Gotta get out”. “Tenho sido um fã dessa banda por um tempo, todos ficam atrás deles”, ele disse.

Um apoio desses não vem de graça: de acordo com relatos, One Direction possui uma parte de 50% da SRL [Sociedade de Responsabilidade Limitada], dando a eles um corte da música da banda e do lucro da propaganda. Dentro de meses depois do tweet, One Direction anunciou que 5SOS abriria para eles na turnê de arena; depois de pouco mais de duas dúzias de shows, 5SOS estava tocando na arena O2. Quando eles aterrissaram em Miami para uma parada, 200 garotas estava esperando por eles fora do aeroporto.

Hemmings diz que eles se aproveitaram de toda a atenção. Eles foram mais selvagens em suas primeiras turnês, quando eles iam aos bares para se misturar com os fãs depois dos shows. “Quando você coloca quatro caras jovens em um ônibus de turnê, fazendo teatro, e então arenas, você vai transar com muitas garotas, eu suponho”, diz Hemmings. “Nós tivemos um bom momento”. Múltiplas garotas em uma noite? “Sinto que eu não deveria dizer”, ele diz com um sorriso. “Você pode dizer que a possibilidade disso é alta”. Múltiplas garotas no mesmo momento? “A possibilidade é alta”, ele diz de novo. Ele abre um sorriso diabólico. “As possibilidades são infinitas”.

“Eu tive toda essa atenção de todas estas garotas que nunca teriam gostado de mim na escola, vindo até mim e dizendo coisas, me dando números”, diz Hood. “Eu ficava tipo ‘C*ralho, sim!’. Fiquei um pouco rebelde”.

Em 2014, um vídeo em que Hood mandou um Snapchat para uma garota – em que ele se filmou olhando para o espelho com seu pênis de fora – veio à tona online. Na verdade aconteceu isso um pouco antes – ele pode dizer por causa da falta de tatuagens. “Foi tipo uma benção, de certa forma, porque nada tão ruim assim poderá acontecer comigo de novo”, ele diz, fumando na varanda da casa da banda. “Se outra foto do meu pinto aparecer, vai ser tipo, ‘Oh, é o pinto dele de novo'”. E mais, o vídeo ganhou muita publicidade para a banda. “Agora estou trabalhando na sextape”, Hood diz. “Vou chamar Pamela, ‘Hey, já faz um tempo. Nós realmente precisamos promover essa banda!'”.

Ele pode não ser Sid Vicious, mas Clifford foi a ovelha negra de 5SOS desde os primeiros dias, quando Irwin teve que ir até a casa de Clifford para acordá-lo para o ensaio da banda. Ele é um pouco esquisito – ele perdeu um show em New York depois de perder seu passaporte – e ele também é o mais propenso a acidentes: novembro passado, ele tropeçou nos bastidores nos primeiros 10 segundos de uma apresentação em uma premiação depois de um salto remendado, caindo nos lugares do fundo da orquestra. “Meu calcanhar está f*dido”, ele diz. Mais assustadoramente, Clifford entrou em uma explosão pirotécnica em na arena de Wembley, em junho; seu cabelo e camisa pegaram fogo, levando-o a se contorcer pelo palco. Ele foi para o hospital e estava bem, mas ficou aterrorizado por um momento quando não podia abrir os olhos.

Em uma nota mais pessoal, Clifford interrompeu o set em um show no anfiteatro em Michigan no verão passado: “Eu estava consertando alguns problemas com minha saúde mental”, ele disse para a multidão. “Eu fui ver um terapeuta bem rápido na pausa que tivemos”. Clifford diz que sofre de questões de “autoestima, solidão, um pouco de depressão”, e tem tomado muitos remédios para dormir à noite. Duas semanas atrás, em Amsterdã, ele atingiu seu limite e chamou o atual diretor da banda, Matt Emsel. “Eu disse ‘Estou indo pra casa, estou acabado'”, diz Clifford. “‘Eu vou me esconder por, tipo, um mês ou dois'”. Ele cedeu, mas diz “Estou triste pra diabo ultimamente”. Depois do anúncio no palco, os fãs tweetaram mensagens de encorajamento para Clifford com a hashtag “#WeLoveYouMichael” [Nós te amamos, Michael]. “Eu me tornei, tipo, um defensor da saúde mental, sabe?”, ele diz, um pouco desconfortável com a função. Irwin é protetor de Clifford, dizendo que estava preocupado que a luta que o guitarrista teria “fosse vista como alguma besteira de marketing”.

Irwin ficou feliz em ver Clifford sorrindo quando sua mãe o visitou na estrada recentemente. “Michael ama sua casa”, diz Irwin. “Ele ama estar em casa com seu computador de m*rda. Aí foi onde nós o pegamos e é aí que devemos deixá-lo de volta. Entende o que eu digo? Michael, se você simplesmente deixar o seu computador por alguns anos, e nós vamos deixar você lá eventualmente. Nós apenas precisamos de você agora para esta banda”.

Na semana anterior ao AMAs, Clifford ficou chateado quando uma esquete com o apresentador James Corden do The Late Late Night Show foi pra cucuia. Na paródia, Corden interpretava um quinto membro fictício de 5SOS, que comicamente os atacava depois de ser expulso do grupo. Mas na gravação, a banda ficava falando junto e interrompendo as falas sem que Corden terminasse de falar, algo que o irritou. Suas piadas as custas da banda pareceram ficar mais rudes, e ele se dirigiu para Clifford: “Eu consigo encontrar um cara com a cabeça vermelha sete dias por semana! Você acha que é o primeiro cara que pintou seu cabelo e está numa banda? Você é tipo um clichê de cada músico de m*rda”.

Clifford ficou um pouco abalado depois disso. “Foi muito estranho”, ele diz, andando até um supermercado próximo. “Foi a pior promo que eu já fiz”. (As frases mais malvadas acabaram sendo cortadas no final). Irwin teve uma tomada diferente, mencionando animadamente que ele recebeu um elogio de uma produtora. “Ela me disse que eu sou bom em improvisação!”.

Wilkinson atribui esse ímpeto de Irwin à sua infância difícil. Seu pai deixou sua família quando Irwin tinha 2 anos; Irwin ajudou sua mãe a criar seu irmão e irmã mais novos, que tinham um pai diferente. “Ela teve tempos em que estava depressiva e bebia muito, e isso era difícil pra mim”, ele diz. Irwin foi o único membro da banda a se formar na escola antes de ir embora para a Inglaterra; ele era um ótimo nadador e o vice presidente da classe, e também fazia aulas de teatro. E embora ele tivesse tido um momento difícil ao deixar seus irmãos quando 5SOS foi embora de Sydney, Irwin sabia que não deixaria passar a oportunidade. “Eu acho que estava em um lugar diferente”, ele diz. “Para mim, minha vida era muito mais estressante em casa”. “Eu não sou retido pelo meu passado”, ele completa. “Sou um adulto”. Ele trabalha diariamente (“Eu admiro Sting and Springsteen – eles são dignos e formidáveis pra c*ralho no palco”) e se esforça para manter contato com pessoas da indústria musical, gravitando depois do ensaio da AMA para falar com alguns caras que estão perto da mesa de som. “Aquelas são as mesmas pessoas que fazem o show Dick Clark’s New Year’s Eve”, ele diz. “Um dia, você vai ser a p*rra de um 60 nas paradas e vai precisar pedir um favor, e aquelas são as pessoas que vão te ajudar. Isto é importante.”

Clifford e Irwin chocam-se em diferenças criativas. “Houve tempos em que eu estava tipo ‘P*rra, por que nós estamos brigando tanto?'”, diz Clifford. Clifford tende a escrever músicas mais escuras e pesadas, como “Jet Black Heart”. Irwin vai mais para o comercial. Ele foi para o primeiro grande single deles “She looks so perfect” (com o refrão “you look so perfect standing there/in my American Apparel underwear” [você parece tão perfeita parada aí/com a minha cueca da American Apparel]). Irwin conta animado a história do trecho da música: a namorada do co-compositor deles esqueceu sua calcinha uma vez, então ela usou isso. “Nós ficamos tipo ‘Isso é muito legal'”, diz Irwin. “Isso me bateu imediatamente. Eu amei porque era bizarro. Eu sabia que isso ia nos destruir. Michael odiou”.

“Eu me preocupo com a minha banda”, ele adicionou. “Eu me preocupo pra c*ralho com eles. De vez em quando, alguém vai passar por um coração quebrado e se sentir depressivo e se sentir louco e festar todo dia. Eu quero que eles passem por isso. Nós temos que fazer isso funcionar”. Até agora, está funcionando. Hoje, a banda está toda em um sofá, vestindo divertidas cartolas, respondendo perguntas em uma gravação de Ryan Seacrest’s New Year’s Rockin’ Eve. Uma repórter loira em um vestido brilhante pergunta quais lições eles aprenderam este ano. “Veja onde você está indo”, Irwin diz. “E veja onde Michael está indo”.

Clifford é lerdo e um pouco azedo; ele estava fora tarde da noite festando com Josh Dun de Twenty One Pilots, o dono do Fleshlight. Clifford se junta enquanto 5SOS nocauteia os agressivos singles “Hey everybody!” e “She’s kinda hot”, mas mais tarde, com a multidão ainda gritando, ele sai em disparada para os bastidores e entra com tudo no corredor do camarim. “Está tudo bem?” pergunta um dos diretores da banda, abrançando-o.

Os membros da banda param para um breve ensaio fotográfico, fazendo suas melhores caras punk – Hemmings coloca pra fora sua língua, Irwin faz uma careta, Hood coloca uma arma de confete em sua virilha e atira. Clifford semicerra e ergue suas sobrancelhas. Mas ele parece miserável.

O humor de Clifford se ilumina mais tarde no camarim quando Irwin o presenteia com um presente de aniversário da banda, o qual Irwin vinha planejando por meses: duas guitarras pretas Gibson Les Paul Junior personalizadas. “P*ta m*rda!”, diz Clifford, abrindo a primeira capa, colocando suas mãos no rosto. Quando ele vê a segunda guitarra, ele grita: “Este é o melhor dia da minha vida! Ah meu Deus! P*ta m*rda do c*ralho! Esta é literalmente a última f*dida coisa que eu esperava!” Ele dá a Irwin um abraço apertado.

No ano novo, a banda planeja passar em lugares separados: Hemmings e Clifford estarão dividindo uma casa, e Hood e Irwin outra. “Em algum momento nós chegaremos em uma idade em que não poderemos ficar em roda uns dos outros todo dia, toda hora”, diz Clifford. Mas eles parecem perceber que ser uma banda é o que os separa de quase todo o resto das pessoas no nível deles, e eles querem manter isso. Eles sentem muito que os cantores pop se encolham com ajudas pagas nas premiações. “Ninguém é um f*dido amigo um do outro”, diz Irwin. Apesar de quaisquer tensões, eles vão sair em férias juntos na Indonésia na pausa do feriado. “Você precisa trabalhar no relacionamento da banda, assim como em relacionamentos amorosos”, diz Irwin.

O momento favorito de Clifford na banda ano passado não aconteceu no palco, ou quando eles estavam sendo perseguidos, ou quando a gravação deles atingiu o Número Um. Foi em Milão, quando 5SOS pediu por cinco minutos sozinhos durante uma parada na turnê, longe da comitiva. Ali Hood começou a subir na janela em direção ao estacionamento. Os outros o seguiram. “Nós ficamos tipo ‘C*ralho, esta vai ser a melhor pegadinha de todas'”, diz Clifford. Nós fechamos a janela, pulamos e nos escondemos no estacionamento, e assistimos nossos diretores irem para o quarto.”

“Eles abriram a porta e ficaram tipo ‘Para onde os meninos foram?'”, ele continua. “Eles foram para o banheiro, para todo lugar. Começaram a surtar. ‘P*ta m*rda, todos eles foram embora'”.

“Nós poderíamos ter corrido”, diz Clifford, sorrindo. “Nós poderíamos ter corrido pra muito longe”.

Fonte | Tradução: Edilayne Ribeiro – TOMMO.com.br